Artigo · Documentação do projeto
Como fazer memorial descritivo de arquitetura: estrutura, modelo e checklist
Equipe Croqui Atualizado em 13 min de leitura
Resposta curta
O memorial descritivo de arquitetura é o documento escrito que descreve o projeto e especifica elementos, componentes e materiais da edificação. Pela ABNT NBR 6492:2021 e pela NBR 16636-2:2017, ele aparece no anteprojeto e no projeto executivo. Organize por sistema construtivo, amarre cada item às pranchas e aos quadros e atualize a cada revisão.
Este artigo faz parte do guia Documentação de projeto de arquitetura: o que entra em cada etapa, como organizar e como manter em dia .
O memorial descritivo de arquitetura é o texto que diz, por escrito, o que as pranchas mostram em desenho: que parede é essa, que piso vai em cada ambiente, que esquadria fecha cada vão, como a cobertura escoa. É o documento que a obra consulta quando a planta não responde, que o cliente lê para entender o que está comprando e que o contratante público usa para orçar. Ele é uma das peças da documentação de projeto de arquitetura, ao lado de pranchas e quadros. Abaixo estão a norma vigente, a diferença para os outros documentos escritos, um esqueleto para copiar e o jeito de não deixar o memorial envelhecer a cada revisão.
O que é memorial descritivo de arquitetura?
Memorial descritivo de arquitetura é o documento escrito que descreve o projeto arquitetônico e especifica os elementos da edificação, os componentes construtivos e os materiais. Ele complementa as pranchas: o desenho mostra forma e dimensão, o memorial explica material, padrão de acabamento, critério de execução e o que não cabe numa cota.
A ABNT NBR 16636-2:2017 lista o que o projeto precisa registrar de cada objeto de construção: identificação; descrição (dimensões, características dos materiais, especificações); condições de localização e de uso; requisitos de desempenho; aplicações; informação sobre canteiro, quando houver; subsídios de uso, operação e manutenção; e condições de propriedade. Grande parte dessa lista mora no memorial.
Na prática, o mestre de obras quer a espessura do contrapiso, o cliente quer confirmar que a bancada é de quartzo e o orçamentista quer quantidade e padrão. Um bom memorial responde aos três sem ninguém abrir o arquivo do projeto.
Para que serve o memorial descritivo?
O memorial serve para fixar por escrito o padrão do que vai ser construído, e cada destinatário usa um pedaço dele. O mesmo documento sustenta orçamento, contrato, licitação e conferência na obra.
| Destinatário | Para que usa o memorial | O que precisa estar claro |
|---|---|---|
| Prefeitura | Complementar o projeto legal quando o município pede memorial no processo | Uso da edificação, áreas, sistema construtivo, o que a legislação local exigir |
| Obra | Executar o que a planta não detalha | Material, espessura, acabamento, sequência, critério de aceitação |
| Cliente | Saber o padrão contratado e aprovar escolhas | Acabamento por ambiente, louças e metais, esquadrias, o que fica de fora |
| Licitação pública | Definir padrão mínimo para contratar e orçar | Especificação sem direcionar marca, quantidades, critérios de equivalência |
| Incorporação | Registrar as especificações da obra vendida na planta | Acabamentos das unidades e das áreas comuns |
Duas dessas funções têm base em lei. Na contratação de obra pública, a Lei 14.133/2021 define o anteprojeto como peça que deve conter, entre outros itens, “memorial descritivo dos elementos da edificação, dos componentes construtivos e dos materiais de construção, de forma a estabelecer padrões mínimos para a contratação” (art. 6º, XXIV, j), conforme o texto da lei no Planalto. Na incorporação imobiliária, a Lei 4.591/1964 inclui no memorial de incorporação, registrado no cartório de imóveis, o “memorial descritivo das especificações da obra projetada” (art. 32, g).
Na prefeitura, não há regra nacional. A NBR 6492 diz que o projeto para licenciamento segue a legislação de cada região, e cada município define a lista de documentos do alvará, com ou sem memorial descritivo. Confira a lista do seu município antes de montar o pacote; o caminho completo está no guia de aprovação de projeto na prefeitura.
Qual norma da ABNT vale para o memorial descritivo?
Hoje valem a ABNT NBR 16636-2:2017, que define as etapas e os documentos do projeto arquitetônico, e a ABNT NBR 6492:2021, que detalha o conteúdo da documentação técnica de cada etapa. A NBR 13532:1995, que aparece em muito modelo de memorial que circula por aí, está cancelada.
O histórico é este. A NBR 13532 foi cancelada em dezembro de 2017 e substituída pelas NBR 16636-1 (diretrizes e terminologia) e 16636-2 (projeto arquitetônico). O próprio prefácio da 16636-2 diz que ela “cancela e substitui as ABNT NBR 13531:1995 e ABNT NBR 13532:1995”. O CAU/BR noticiou a consulta pública em 2017, explicando que as duas normas antigas foram revistas e agrupadas. A NBR 16636-2 teve a edição de 2017 confirmada pela ABNT em 2022.
Em 2021 saiu a segunda edição da ABNT NBR 6492, que cancelou a versão de 1994 e mudou o nome de “Representação de projetos de arquitetura” para “Documentação técnica para projetos arquitetônicos e urbanísticos”. É nela que está a lista de documentos escritos por etapa:
| Etapa (sigla da norma) | Documentos escritos pedidos pela NBR 6492:2021 |
|---|---|
| Estudo preliminar (EP-ARQ) | Memorial justificativo, opcional: partido, decisões de projeto e justificativas |
| Anteprojeto (AP-ARQ) | Memorial descritivo do projeto arquitetônico; memorial descritivo dos elementos da edificação, componentes construtivos e materiais; lista de pranchas e documentos |
| Projeto para licenciamentos (PL-ARQ) | Forma de representação variável por região, conforme a legislação local |
| Projeto executivo (PE-ARQ) | Memorial descritivo dos elementos e componentes arquitetônicos; memorial descritivo dos elementos da edificação, das instalações prediais (em aspectos arquitetônicos), dos componentes construtivos e dos materiais; memorial quantitativo; planilhas orçamentárias; lista de pranchas e documentos |
Repare que a norma não traz um modelo de memorial com seções obrigatórias. Ela diz quais textos existem em cada etapa e o que eles cobrem; a organização interna fica com o escritório. Também não confunda com o conteúdo de cada fase do projeto, assunto do post sobre etapas do projeto de arquitetura. Dois detalhes da NBR 6492 ajudam a decidir o que vai no texto: “todos os acabamentos devem ser especificados e listados na prancha ou no memorial”, e “o quadro de áreas pode constar nas pranchas do projeto ou no memorial”.
Memorial descritivo, memorial justificativo, caderno de especificações e caderno de encargos: qual a diferença?
Os quatro são documentos escritos do projeto, mas respondem a perguntas diferentes: o memorial descritivo diz o que é o projeto, o justificativo diz por que ele é assim, o caderno de especificações diz como cada material tem que ser, e o caderno de encargos diz como cada serviço tem que ser executado e cobrado.
| Documento | Responde a | Quando aparece | Quem lê primeiro |
|---|---|---|---|
| Memorial justificativo | Por que o partido é este | Estudo preliminar (opcional na NBR 6492) | Cliente, banca, comissão de concurso |
| Memorial descritivo | O que é cada parte da edificação | Anteprojeto e executivo | Cliente, obra, orçamentista |
| Caderno de especificações | Que características cada material e equipamento precisa ter | Executivo | Obra, compras, fornecedor |
| Caderno de encargos | Como cada serviço é executado, medido e aceito | Licitação e contrato de obra | Construtora, fiscalização |
O TCU, no manual Obras públicas: recomendações básicas, define as especificações técnicas como a parte dos projetos que “estabelece detalhadamente as características dos materiais e equipamentos necessários e suficientes ao desempenho técnico requerido”. Define o caderno de encargos como parte integrante do projeto básico, que detalha “o método executivo de cada serviço, para vincular o contratado”. E observa que, em obras de menor vulto, as especificações podem descrever o método executivo e englobar o caderno de encargos.
Para um escritório que faz residência e reforma, o arranjo mais comum é um memorial descritivo com as especificações dentro, organizado por sistema. Para obra pública ou corporativa, vale separar: memorial descritivo, caderno de especificações e, quando o contratante pedir, caderno de encargos.
Como estruturar o memorial descritivo seção a seção?
Estruture o memorial na ordem em que a obra acontece, do terreno ao acabamento, e abra com identificação, escopo e documentos de referência. Cada seção descreve um sistema e remete à prancha ou ao quadro que tem a medida, em vez de repetir a medida.
O esqueleto abaixo é um modelo de trabalho, não um formato da norma. Ele cobre os itens que a NBR 16636-2 pede para registrar e segue a lógica da obra. Copie, apague o que não se aplica e acrescente o que o seu tipo de projeto exige.
MEMORIAL DESCRITIVO DE ARQUITETURA
[Nome do projeto] · Revisão [R00] · [data]
0. IDENTIFICAÇÃO
Projeto, endereço, matrícula e inscrição imobiliária
Cliente / proprietário
Autor do projeto e responsável técnico (nome, título, CAU nº)
RRT nº / etapa do projeto (anteprojeto, executivo)
1. OBJETO E ESCOPO
Tipo de intervenção (construção nova, ampliação, reforma)
Uso da edificação, número de pavimentos, área construída total
O que este memorial cobre e o que fica nos projetos complementares
2. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
Lista de pranchas com número e revisão
Quadros: áreas, ambientes, esquadrias, acabamentos
Normas e legislação consideradas
3. TERRENO E IMPLANTAÇÃO
Área e dimensões do lote, recuos adotados, acessos
Níveis de implantação, movimento de terra previsto
4. PROGRAMA E ÁREAS
Ambientes por pavimento (remete ao quadro de áreas)
5. SISTEMA CONSTRUTIVO (aspectos arquitetônicos)
Fundação e estrutura: tipo adotado, remete ao projeto estrutural
6. VEDAÇÕES VERTICAIS
Paredes externas e internas: material, espessura acabada
Divisórias, shafts, peitoris e platibandas
7. COBERTURA
Tipo, telha ou laje, inclinação, calhas e rufos
Remete à planta de cobertura
8. IMPERMEABILIZAÇÃO
Áreas impermeabilizadas e sistema por área
9. ESQUADRIAS
Critério geral (material, linha, vidro, ferragens)
Remete ao quadro de esquadrias (P1, P2..., J1, J2...)
10. REVESTIMENTOS E ACABAMENTOS
Piso, rodapé, parede, forro e soleira por ambiente
Remete ao quadro de acabamentos
11. LOUÇAS, METAIS E BANCADAS
Por ambiente, com critério de equivalência
12. INSTALAÇÕES (aspectos arquitetônicos)
Pontos, aparelhos e o que fica nos projetos complementares
13. ACESSIBILIDADE
Rotas, sanitários, desníveis, conforme o projeto
14. ÁREAS EXTERNAS E PAISAGISMO
Pisos externos, muros, portões, vegetação
15. USO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO
Cuidados de limpeza e manutenção dos acabamentos especiais
16. DISPOSIÇÕES GERAIS
Critério de equivalência de materiais
Documento que prevalece em caso de divergência
Como pedir alteração durante a obra
17. RESPONSABILIDADE TÉCNICA
Local, data, nome, CAU nº, assinatura
As seções 9 e 10 são as que mais crescem. Mantenha no texto o critério e deixe a quantidade no quadro; o quadro de esquadrias e o quadro de acabamentos fazem esse trabalho melhor que um parágrafo. A NBR 6492 recomenda designar portas como P1, P2, P3 e janelas como J1, J2, J3, o que facilita a remissão.
Como escrever cada seção, com um exemplo
Escreva cada item com sujeito, material, dimensão ou norma de referência e remissão ao desenho. Frases curtas, sem adjetivo vago, e sem repetir medida que já está cotada na prancha.
Pense numa casa térrea de 180 m² num lote de 12 x 30 m. Compare duas versões da seção de vedações.
Versão vaga, a que gera ligação da obra:
As paredes serão em alvenaria de boa qualidade, com acabamento de primeira.
Versão que a obra consegue executar e o cliente consegue conferir:
6.1 Paredes externas em bloco cerâmico de vedação, espessura acabada de 20 cm, conforme plantas ARQ-02 e ARQ-03. 6.2 Paredes internas em bloco cerâmico, espessura acabada de 15 cm. Paredes hidráulicas dos banheiros com shaft visitável, posição na prancha ARQ-06. 6.3 Platibanda em alvenaria com rufo metálico, altura indicada no corte AA.
O mesmo vale para revestimentos. Em vez de “porcelanato nas áreas sociais”, escreva o ambiente, o formato, o acabamento e o critério de equivalência:
10.2 Sala de estar e jantar: porcelanato retificado 90 x 90 cm, acabamento acetinado, rejunte de 2 mm na cor da peça. Aceita-se equivalente de mesmo formato, classe e acabamento, com aprovação prévia do arquiteto.
Três regras resolvem a maior parte dos problemas de redação:
- Uma informação, um lugar. A medida fica na prancha, a quantidade fica no quadro, o critério fica no memorial.
- Remeta pelo código. “J3 conforme quadro de esquadrias” sobrevive a uma revisão; “janela de 1,50 x 1,20 m” repetida em três parágrafos não sobrevive.
- Não especifique o que não vai exigir. O manual do TCU é direto: “nunca se deve incluir o que não se pretende exigir”. Vale para obra privada também, porque o cliente cobra o que leu.
Se preferir partir de um texto completo, o modelo de memorial descritivo residencial traz todas as seções escritas para uma casa térrea.
Como manter o memorial fiel ao projeto a cada revisão?
O memorial fica fiel ao projeto quando cada revisão do modelo dispara uma revisão do memorial com o mesmo código, a mesma data e a lista do que mudou. Sem esse amarramento, o texto envelhece em silêncio e a obra executa a versão errada.
O projeto vai do R02 para o R05, a janela do quarto muda, o lavabo vira despensa, e o memorial continua no R02. Algumas práticas reduzem o risco:
- Cabeçalho com revisão e data iguais às das pranchas. Se a prancha está em R04, o memorial também está, mesmo que o texto não tenha mudado.
- Tabela de revisões no início. Código, data, o que mudou (“R03: ambiente 05 passa de lavabo para despensa; J4 alterada”). É o que a obra lê primeiro.
- Lista de pranchas dentro do memorial, com o número e a revisão de cada uma. A NBR 6492 já pede a lista de pranchas e documentos no anteprojeto e no executivo.
- Texto que remete a quadro. Quanto mais o memorial depende de quadros gerados do projeto (áreas, ambientes, esquadrias, acabamentos), menos texto precisa ser reescrito.
- Conferência cruzada a cada emissão. Compare ambientes, áreas e esquadrias do memorial com os do modelo. A conferência é mecânica e é aí que mora o erro.
É a parte do trabalho que o modelo BIM já sabe fazer, se alguém tirar a informação de lá. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. O memorial descritivo gerado a partir do modelo sai no tom dos memoriais do escritório para você revisar seção a seção, e a tela de revisões entre dois modelos mostra o que mudou em ambientes, áreas e esquadrias antes de você reemitir o pacote. A revisão e a assinatura continuam com o arquiteto.
Quais são os erros mais comuns no memorial descritivo?
Os erros mais comuns são texto copiado de outro projeto, medida no memorial diferente da prancha e especificação vaga ou impossível de conferir. Quase todos aparecem quando o memorial é escrito uma vez e não acompanha as revisões.
- Copiar o memorial do projeto anterior. Sobra o nome do outro cliente, um ambiente que não existe, a piscina que este projeto não tem. Partir de modelo é bom; partir do memorial de outro cliente é risco.
- Repetir medida que está na prancha. Na primeira revisão, os dois documentos divergem e a obra não sabe qual seguir.
- “Ou similar” sem critério. O TCU recomenda evitar a expressão e, em obra pública, usar “ou equivalente” só quando a marca for indispensável, definindo as condições de aceitação. Em obra privada, o critério evita discussão quando o fornecedor troca a peça.
- Citar norma cancelada. Troque NBR 13532 e NBR 6492:1994 por NBR 16636-2:2017 e NBR 6492:2021.
- Misturar justificativa com especificação. O porquê do partido vai no memorial justificativo; no descritivo, a obra quer o quê e como.
- Memorial sem identificação de responsável. A Resolução CAU/BR nº 75/2014 pede nome, título profissional, número de registro no CAU e atividade técnica nos documentos, e considera infração indicar responsabilidade sem o RRT correspondente.
- Usar o memorial do licenciamento na obra. O projeto executivo pede acabamento por ambiente.
- Esquecer de atualizar no fim da obra. O que mudou na execução precisa entrar na documentação as built, memorial incluído.
Checklist do memorial descritivo antes de enviar
Antes de mandar o memorial para cliente, obra ou prefeitura, confira estes pontos.
- Nome do projeto, endereço e cliente corretos, sem resto de outro projeto
- Revisão e data iguais às das pranchas emitidas junto
- Tabela de revisões preenchida com o que mudou
- Lista de pranchas com número e revisão de cada folha
- Normas citadas vigentes (NBR 16636-2:2017, NBR 6492:2021 e as demais aplicáveis)
- Cada ambiente do memorial existe no modelo, com o mesmo nome
- Áreas batem com o quadro de áreas
- Esquadrias citadas pelo código do quadro, sem medida repetida
- Acabamento definido para piso, parede, forro e rodapé de cada ambiente
- Critério de equivalência escrito para os itens com marca
- Nada especificado que você não vai exigir na obra
- Documento que prevalece em caso de divergência definido
- Responsável técnico com nome, título, CAU e RRT, local, data e assinatura
O memorial viaja junto com as folhas de desenho, e o padrão delas está em pranchas ABNT: formatos, carimbo e escalas.
Perguntas frequentes
O memorial descritivo de arquitetura é obrigatório?
Depende do uso. A ABNT NBR 6492:2021 lista o memorial descritivo entre os documentos escritos do anteprojeto e do projeto executivo, e a Lei 14.133/2021 exige memorial descritivo no anteprojeto de obra pública licitada. Na incorporação imobiliária, a Lei 4.591/1964 pede o memorial das especificações da obra no registro de imóveis. Para aprovação na prefeitura, cada município define a lista de documentos, então confira o decreto ou a instrução normativa da sua cidade.
Qual a norma do memorial descritivo de arquitetura?
A NBR 13532:1995, ainda citada em muito modelo antigo, foi cancelada em dezembro de 2017 e substituída pela ABNT NBR 16636-1 e 16636-2. A NBR 16636-2:2017 define as etapas do projeto arquitetônico e os textos de cada uma. A ABNT NBR 6492:2021 detalha os documentos de cada etapa, incluindo o memorial descritivo do anteprojeto e do projeto executivo. Não existe uma norma só de memorial com modelo obrigatório.
Qual a diferença entre memorial descritivo e caderno de especificações?
O memorial descritivo descreve o projeto e as soluções adotadas, sistema por sistema, e diz o que vai em cada parte da edificação. O caderno de especificações detalha as características de cada material e equipamento para garantir o desempenho pedido. Em obra pequena os dois costumam virar um documento só, com descrição e especificação juntas. Em obra pública, o caderno de encargos ainda acrescenta o método executivo e as condições do contrato.
Quem assina o memorial descritivo de arquitetura?
Assina o arquiteto responsável técnico pelo projeto. A Lei 12.378/2010 e a Resolução CAU/BR nº 75/2014 pedem que documentos de arquitetura indiquem o nome do responsável, o título profissional, o número de registro no CAU e a atividade técnica. A atividade precisa estar coberta por RRT: a resolução considera infração indicar responsabilidade em documento sem o RRT correspondente ou em discordância com ele.
Posso citar marca de produto no memorial descritivo?
Em obra privada, pode, e muitas vezes o cliente quer exatamente aquela linha de porcelanato. O cuidado é dizer se aceita equivalente e com que critério (dimensão, classe, acabamento). Em obra pública, o TCU orienta não reproduzir catálogo de fabricante e, quando a marca for indispensável para caracterizar o material, usar a expressão ou equivalente, definindo as condições de aceitação do similar.
Fontes
- 01ABNT NBR 16636-2:2017 - Elaboração e desenvolvimento de serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos - Parte 2: Projeto arquitetônico (Target Normas)
- 02ABNT NBR 13532:1995 - Elaboração de projetos de edificações: Arquitetura, cancelada e substituída em 12/2017 (Target Normas)
- 03ABNT NBR 6492:2021 - Documentação técnica para projetos arquitetônicos e urbanísticos: Requisitos (Target Normas)
- 04CAU/BR - Normas da ABNT sobre projetos arquitetônicos estão em consulta pública (2017)
- 05Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 - Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Planalto)
- 06Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 - Condomínio em edificações e incorporações imobiliárias (Planalto)
- 07TCU - Obras públicas: recomendações básicas para a contratação e fiscalização de obras de edificações públicas, 4ª edição
- 08Resolução CAU/BR nº 75, de 10 de abril de 2014 - Indicação da responsabilidade técnica