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Artigo · Documentação do projeto

Memorial descritivo com IA: como gerar, revisar e assinar sem perder o controle

Equipe Croqui Atualizado em 6 min de leitura

Resposta curta

Dá para fazer memorial descritivo com IA sem perder o controle se a IA escrever só a partir dos dados do projeto, nunca de memória. Dê a ela a lista de materiais e sistemas, peça para marcar o que não souber, revise seção a seção contra o projeto e assine só o que conferiu. A responsabilidade continua sua.

Como o Croqui resolve isso

O risco do memorial com IA é ela inventar o que o projeto não tem. No Croqui, o texto fixo sai dos quadros do modelo, a IA escreve só a narrativa de cada seção, e nada vai para o pacote sem a sua aprovação.

  1. Passo 1: Envie memoriais antigos do escritório

    De 3 a 5 memoriais em PDF, DOCX ou TXT ensinam o tom da casa. O arquivo é apagado após a leitura e você vê exatamente os trechos que a IA pode ler.

    Biblioteca com memoriais antigos do escritório e os trechos que ensinam o tom da casa a quem redige o memorial descritivo. Ampliar a tela Estilo do memorial
    Estilo do memorial
  2. Passo 2: Aprove seção a seção

    Cada trecho mostra se veio do modelo, da IA ou da sua edição. Aprove, edite ou volte ao texto gerado. O memorial só fica revisado com todas as seções aprovadas.

    Memorial descritivo
  3. Passo 3: Ache o PDF emitido no projeto

    O que o Croqui exporta fica salvo nos documentos do projeto, com versão, ao lado do modelo que deu origem ao texto.

    Drive do projeto com os arquivos enviados, como o IFC e o DWG com suas versões, e a pasta do que o Croqui gerou. Ampliar a tela Documentos do projeto
    Documentos do projeto

Este artigo faz parte do guia Documentação de projeto de arquitetura: o que entra em cada etapa, como organizar e como manter em dia .

Fazer memorial descritivo com IA economiza horas, desde que a IA trabalhe como redatora e não como fonte. O memorial descreve o que o projeto tem: sistemas, materiais, acabamentos, áreas. Se a IA escrever de memória, ela completa as lacunas com o que é comum em outros projetos, e o texto sai bonito e errado. Se escrever a partir dos dados do seu projeto, ela só organiza em frases o que você já decidiu.

Este post mostra os dois jeitos de gerar o memorial com IA, como pedir sem deixar a IA inventar, o checklist de revisão, o cuidado com os dados do cliente e quem responde pelo texto. O método do memorial em si (estrutura, seções, o que entra em cada uma) está em como fazer memorial descritivo de arquitetura, e o lugar dele no conjunto do projeto, no guia de documentação de projeto de arquitetura.

Como gerar memorial descritivo com IA?

Há dois caminhos: pedir a um assistente de conversa, colando a estrutura e os dados, ou usar um software que escreve a partir do modelo do projeto. Nos dois, a regra é a mesma: a IA só escreve sobre o que recebeu.

CaminhoDe onde vêm os dadosVantagemCuidado
Modelo de Word copiadodo projeto anteriorrápidocarrega material e nome de outra obra
Assistente de conversado que você colaflexível, sem instalar nadavocê monta os dados à mão e anonimiza
Software que lê o modelodos quadros do projetoo texto acompanha a revisãoainda precisa de revisão seção a seção

O modelo de Word é o que mais dá problema, porque o erro não aparece: o texto está bem escrito, só que descreve outra casa. O modelo de memorial descritivo residencial é útil como estrutura, não como texto para preencher por cima.

Como pedir o memorial à IA sem ela inventar?

Dando a estrutura, os dados e uma instrução explícita para não completar lacunas. O pedido que funciona tem quatro partes.

  1. A estrutura. As seções do memorial, na ordem que o escritório usa: identificação, implantação, sistemas construtivos, vedações, cobertura, esquadrias, revestimentos, instalações, áreas.
  2. Os dados, por seção. Uma lista curta do que o projeto tem: “Vedações externas: bloco cerâmico 14 cm, reboco, textura acrílica. Esquadrias: alumínio preto, vidro laminado 8 mm nas portas de correr”.
  3. A proibição. “Escreva só com os dados acima. Se faltar informação para uma seção, escreva [CONFERIR] em vez de completar.”
  4. O tom. Um ou dois parágrafos de um memorial antigo do escritório, sem nomes, endereços e medidas, como exemplo de estilo.

A marcação [CONFERIR] é a parte mais importante. Ela transforma a lacuna, que a IA tenderia a preencher, numa pendência visível. O perfil de IA generativa do NIST chama de confabulação o conteúdo errado apresentado com confiança, e é exatamente o que um memorial não pode ter.

Mais prompts prontos, para briefing, ata e e-mail, estão em prompts de ChatGPT para arquitetos.

Como revisar um memorial descritivo feito com IA?

Seção a seção, contra o projeto, e não lendo o texto corrido. Leitura corrida pega erro de português; erro técnico só aparece quando você compara cada afirmação com a fonte.

Um exemplo. Um escritório de 3 pessoas em Curitiba gerou o memorial de uma casa de 180 m² com IA, a partir da lista de materiais do caderno. A revisão seção a seção achou quatro problemas em dez minutos: a IA tinha escrito “forro de gesso em todos os ambientes” quando a varanda tinha forro de madeira, citou a NBR 13532 como referência, trocou “vidro laminado” por “vidro temperado” na esquadria da escada e arredondou a área construída. Nenhum dos quatro aparecia numa leitura corrida.

Checklist de revisão:

  • Materiais e sistemas batem com o caderno de especificações e com o modelo, ambiente por ambiente.
  • Números (áreas, espessuras, dimensões) batem com o quadro de áreas e os quadros do projeto, sem arredondamento.
  • Normas citadas estão vigentes. A NBR 13532 foi cancelada em 2017 e substituída pela NBR 16636-2; a documentação técnica segue a NBR 6492:2021. Assistente de conversa cita norma antiga com frequência.
  • Nenhum termo vago como “material de primeira qualidade” ou “conforme padrão de mercado”, que não especificam nada.
  • Nenhum [CONFERIR] sobrou no texto final.
  • As seções não se contradizem, como a cobertura em telha cerâmica numa seção e em laje impermeabilizada em outra.

O caderno de especificações é a melhor fonte para conferir materiais, e por isso vale fazê-lo antes do memorial.

Quem responde pelo memorial feito com IA?

O arquiteto que assina. A IA não tem registro, não emite RRT e não responde por erro. O Código de Ética do CAU/BR faz o arquiteto responder pelas tarefas executadas por auxiliares e equipes sob sua direção (regra 1.2.1), e a mesma lógica vale para a ferramenta: o texto que sai assinado é seu, tenha sido redigido por você, por um estagiário ou por IA.

Na prática, isso define o fluxo: a IA gera o rascunho, alguém revisa com o checklist, e quem assina aprova. Se o escritório não tem tempo de revisar, não tem tempo de usar IA no memorial.

E os dados do cliente?

Não vão para a IA. O memorial não precisa do nome do proprietário nem do endereço da obra para ser escrito; eles entram depois, no cabeçalho. Troque por códigos (“Proprietário A”, “Lote X”) antes de colar qualquer coisa num assistente de conversa.

O Código de Ética pede sigilo sobre os negócios confidenciais do contratante (regra 3.2.15), e a LGPD limita o tratamento de dado pessoal ao mínimo necessário para a finalidade (art. 6º, III). Confira também nas configurações da ferramenta se as conversas podem ser usadas para treinar o modelo.

Como o Croqui gera o memorial com IA?

O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. No memorial, ele separa o que é dado do que é redação.

  • O texto fixo não é IA. Cada sistema construtivo tem um texto-base preenchido com os dados dos quadros do modelo.
  • A IA escreve só a narrativa de cada seção, a partir de um resumo dos fatos daquela seção. Seção sem dado específico do projeto não passa pela IA.
  • Os dados do cliente não saem. Nome do projeto, do cliente e do responsável viram códigos antes de qualquer texto ir para o modelo de linguagem, e o valor real só volta dentro do sistema.
  • O tom vem do escritório. De 3 a 5 memoriais antigos ensinam o estilo; saem deles nomes, endereços, documentos e medidas, e o arquivo original é apagado.
  • Você aprova seção a seção. Os trechos da IA vêm marcados, e o memorial só fica revisado com todas as seções aprovadas.

O memorial é escrito só quando você pede. Quando o modelo muda, o pacote pode ser gerado de novo a partir da revisão nova. A página do gerador de memorial descritivo mostra o que entra e o que sai, e o guia de IA para arquitetos mostra onde mais a IA ajuda e onde não ajuda.

Perguntas frequentes

Posso usar o ChatGPT para fazer memorial descritivo?

Pode, como redator, não como fonte. Dê ao assistente a estrutura do memorial e os dados do projeto (sistemas construtivos, materiais, áreas) e peça para escrever só com o que você forneceu, marcando como [CONFERIR] o que faltar. Troque nome do cliente e endereço por códigos antes de colar. Depois, revise cada material e cada número contra o projeto. O texto assinado é responsabilidade de quem assina o RRT.

Qual o risco de fazer memorial descritivo com IA?

O principal é a IA completar lacunas com informação plausível e errada: um revestimento que o projeto não tem, uma espessura padrão, uma norma cancelada citada como vigente. Outro risco é expor dado do cliente numa ferramenta que guarda a conversa. Os dois se controlam do mesmo jeito: a IA escreve só a partir do que você dá, sem dado pessoal, e ninguém assina sem revisar.

O memorial feito com IA vale para a prefeitura?

O que a prefeitura analisa é o conteúdo e a assinatura do responsável técnico, não a ferramenta usada para redigir. Se o memorial descreve corretamente o projeto, segue o que o município pede e está assinado por quem tem RRT, a origem do rascunho não muda nada. Se tiver erro, ele é do responsável técnico, tenha sido escrito à mão, copiado de outro projeto ou gerado por IA.

Como fazer a IA escrever no tom do meu escritório?

Dê exemplos. Num assistente de conversa, cole trechos de memoriais antigos do escritório, sem nomes, endereços e medidas, e peça para seguir o vocabulário e o nível de detalhe deles. Em ferramentas que guardam o estilo, envie de três a cinco memoriais de referência uma vez. Mais exemplos do que isso costuma não ensinar nada novo; o que importa é que eles representem bem o padrão da casa.

Fontes

  1. 01ABNT NBR 16636-2:2017: Elaboração e desenvolvimento de serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos, Parte 2: Projeto arquitetônico (Target Normas)
  2. 02ABNT NBR 6492:2021: Documentação técnica para projetos arquitetônicos e urbanísticos, Requisitos (Target Normas)
  3. 03ABNT NBR 13532:1995: Elaboração de projetos de edificações, Arquitetura, cancelada e substituída em 12/2017 (Target Normas)
  4. 04CAU/BR: Resolução nº 52/2013, Código de Ética e Disciplina dos arquitetos e urbanistas
  5. 05Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Planalto)
  6. 06NIST AI 600-1: Artificial Intelligence Risk Management Framework, Generative Artificial Intelligence Profile (julho de 2024)

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