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Artigo · Financeiro e impostos

Fluxo de caixa do escritório de arquitetura: como projetar 90 dias com parcelas de projeto

Equipe Croqui Atualizado em 7 min de leitura

Resposta curta

O fluxo de caixa do escritório de arquitetura parte do saldo de hoje, soma as parcelas de projeto previstas e subtrai despesas fixas, equipe, imposto, pró-labore e despesas não mensais, mês a mês, por 90 dias. O ponto crítico são as parcelas que dependem de aprovação do cliente: projete também o cenário em que elas atrasam.

Como o Croqui resolve isso

O fluxo de caixa só funciona se as parcelas futuras estiverem lançadas. No Croqui, o previsto e o realizado entram no mesmo gráfico, e a guia de imposto aparece sozinha no mês certo.

  1. Passo 1: Escolha o horizonte

    A visão geral mostra o saldo em conta hoje e o previsto em 30, 60 ou 90 dias, com o fluxo por dia: entradas, saídas e o saldo projetado.

    Financeiro do escritório
  2. Passo 2: Lance as parcelas de cada contrato

    Uma receita parcelada em até 48 vezes, ligada ao projeto e à etapa. Despesas fixas entram como recorrentes, e o que já aconteceu entra como realizado.

    Lançamentos do financeiro do Croqui filtrados por conta, categoria e projeto, com baixa e comprovante anexado. Ampliar a tela Lançamentos
    Lançamentos
  3. Passo 3: Deixe a guia aparecer sozinha

    Com a alíquota informada, cada recebimento provisiona o imposto, e a guia vira saída prevista no mês seguinte, no dia que você escolheu.

    Guias de imposto por mês no Croqui, com a provisão, o valor real e a marcação de paga. Ampliar a tela Impostos
    Impostos

Este artigo faz parte do guia Controle financeiro de escritório de arquitetura: o guia do caixa ao imposto .

O fluxo de caixa do escritório de arquitetura é a planilha que avisa, com semanas de antecedência, que dezembro vai apertar. Escritório de projeto tem um problema próprio: a receita vem em parcelas ligadas a etapas, e boa parte delas depende de o cliente aprovar alguma coisa. A despesa, ao contrário, vence no mesmo dia todo mês. Este guia mostra como projetar 90 dias, com um exemplo numérico completo, o cenário de atraso e o modelo de planilha para preencher.

Ele faz parte do guia de controle financeiro de escritório de arquitetura. O conceito resumido está no verbete fluxo de caixa.

O que é fluxo de caixa projetado?

É a soma, mês a mês, do saldo de hoje mais o que vai entrar menos o que vai sair. O saldo final de um mês é o inicial do seguinte. O realizado mostra o passado; o projetado mostra se vai faltar dinheiro e quando.

Ele é feito em regime de caixa: cada valor entra no mês em que o dinheiro se move, não no mês a que pertence. A parcela do anteprojeto aprovada em outubro e paga em novembro entra em novembro.

O que entra no fluxo de caixa de um escritório de projeto?

Cinco blocos, nessa ordem:

BlocoO que éOnde achar o número
Saldo inicialSaldo das contas do escritório hoje (sem as pessoais)Extrato do banco
EntradasParcelas de cada contrato, com o mês previstoContratos e cronograma das etapas
Saídas fixasAluguel, software, contador, internet, plotagem, CAUDespesas recorrentes
Equipe e retiradasSalários, encargos, estágio, pró-laboreFolha e decisão dos sócios
Imposto e pontuaisGuia do mês anterior, 13º, férias, licença anual, anuidadeCalendário do ano

O bloco que mais derruba projeção é o último. Despesa que vence uma vez por ano não está na cabeça de ninguém em outubro.

Exemplo: 90 dias do Estúdio Ipê

O Estúdio Ipê é um escritório de exemplo: duas sócias, uma arquiteta contratada e uma estagiária, no Anexo III do Simples com alíquota efetiva de 9,83% (o cálculo está em Simples Nacional para arquitetos). Em 1º de outubro, o saldo do escritório é R$ 28.000.

Entradas previstas, por projeto:

ProjetoOutubroNovembroDezembro
Casa Silva (residência)R$ 14.400 (anteprojeto)R$ 0 (aguarda aprovação)R$ 19.200 (projeto legal)
Apartamento Rocha (interiores, parcelas mensais)R$ 9.000R$ 9.000R$ 9.000
Café Grão (loja)R$ 12.000R$ 8.000R$ 0
Contrato novo (sinal)R$ 0R$ 6.000R$ 0
TotalR$ 35.400R$ 23.000R$ 28.200

Saídas previstas:

SaídaOutubroNovembroDezembro
Fixas (aluguel, software, contador, plotagem, internet, CAU)R$ 7.200R$ 7.200R$ 7.200
Equipe (salário, FGTS, bolsa de estágio)R$ 7.740R$ 7.740R$ 7.740
Guia do Simples (9,83% do mês anterior)R$ 3.735R$ 3.480R$ 2.261
Pró-labore das sóciasR$ 10.000R$ 10.000R$ 10.000
PontuaisR$ 0R$ 12.350 (licença anual R$ 9.600 + 1ª parcela do 13º R$ 2.750)R$ 3.190 (2ª parcela do 13º e FGTS)
TotalR$ 28.675R$ 40.770R$ 30.391

A guia de outubro é sobre os R$ 38.000 recebidos em setembro. A de novembro, 9,83% dos R$ 35.400 de outubro. A de dezembro, 9,83% dos R$ 23.000 de novembro.

O saldo, mês a mês:

OutubroNovembroDezembro
Saldo inicialR$ 28.000R$ 34.725R$ 16.955
+ EntradasR$ 35.400R$ 23.000R$ 28.200
− SaídasR$ 28.675R$ 40.770R$ 30.391
= Saldo finalR$ 34.725R$ 16.955R$ 14.764

Mesmo sem atraso nenhum, o escritório termina o ano com R$ 14.764, menos que um mês de custo fixo com pró-labore (R$ 24.940). A distribuição de lucros, que em meses normais é de R$ 8.000, não cabe neste trimestre.

O que acontece se uma parcela atrasar?

O caixa fica negativo. A parcela de R$ 19.200 da Casa Silva depende de o cliente aprovar o anteprojeto, e a aprovação já está atrasada. Se ela escorregar para janeiro:

Dezembro (base)Dezembro (Casa Silva em janeiro)
Saldo inicialR$ 16.955R$ 16.955
+ EntradasR$ 28.200R$ 9.000
− SaídasR$ 30.391R$ 30.391
= Saldo finalR$ 14.764−R$ 4.436

Faltam R$ 4.436 no mês do 13º. É por isso que todo fluxo de escritório de projeto precisa de dois cenários: o base e o sem as parcelas que dependem de aprovação.

O que fazer quando o fluxo mostra um buraco?

Agir agora, em outubro, e não em dezembro. As alavancas, da mais barata à mais cara:

  1. Cobrar o que depende de você. Marque a reunião de aprovação da Casa Silva e mande o material com antecedência. O guia de como apresentar projeto ao cliente ajuda a encurtar a rodada.
  2. Mudar o gatilho da parcela nos próximos contratos. Parcela por data, com a etapa como referência, em vez de “na aprovação”. O contrato de projeto é o lugar disso.
  3. Parcelar a despesa anual. A licença de R$ 9.600 em parcelas alivia novembro.
  4. Segurar a distribuição de lucros, que já ficou de fora.
  5. Reduzir o pró-labore só em último caso, porque ele mexe no fator R dos meses seguintes. Veja pró-labore do arquiteto.

Quanto deixar de reserva?

Uma referência prática é pelo menos um mês de custo fixo com equipe e pró-labore, mirando em três. No Estúdio Ipê, um mês são R$ 24.940. Com a reserva de um mês, o atraso da Casa Silva vira um susto, não um problema. A reserva é formada com a parte do resultado que não é distribuída, mês a mês.

Modelo de planilha de fluxo de caixa de 90 dias

Monte uma planilha com uma linha por item e uma coluna por mês (ou por semana, se o caixa estiver apertado):

ColunaComo preencher
ItemNome da entrada ou saída: “Casa Silva, projeto legal”, “Aluguel”
BlocoEntrada, fixa, equipe, retirada, imposto ou pontual
ProjetoPara entradas e despesas de projeto; vazio para as fixas
Depende de aprovação?Sim ou não. É o que monta o cenário pessimista
Mês 1, Mês 2, Mês 3Valor previsto em cada mês, em regime de caixa
RealizadoPreencha quando o mês fechar, para comparar com o previsto

No pé, quatro linhas de fórmula:

  1. Saldo inicial: o do extrato no primeiro mês; nos seguintes, o saldo final do anterior.
  2. Saldo final: saldo inicial + entradas − saídas.
  3. Saldo sem as parcelas que dependem de aprovação: a mesma conta, filtrando “depende de aprovação? = sim”.
  4. Folga: saldo final − reserva mínima. Negativo é sinal amarelo.

Atualize toda segunda-feira: dê baixa no que entrou e saiu, ajuste os meses das parcelas que mudaram e olhe as duas últimas linhas.

Como manter o fluxo de caixa sem retrabalho?

A planilha morre quando depende de copiar à mão o que já está no extrato e nos contratos. O que funciona é lançar cada contrato uma vez, com todas as parcelas e vencimentos, e as despesas fixas como recorrentes. A projeção sai desses lançamentos, e a semana se resume a dar baixa.

O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. No financeiro do Croqui, as parcelas lançadas por projeto e as despesas recorrentes formam o fluxo projetado de 30, 60 ou 90 dias, e a guia do imposto entra sozinha no mês seguinte a cada recebimento. Se você paga o imposto como pessoa física, a lógica é a mesma: o carnê-leão vence no mês seguinte ao recebimento, como explica o guia de arquiteto autônomo: pessoa física ou PJ.

Perguntas frequentes

Como fazer o fluxo de caixa de um escritório de arquitetura?

Comece pelo saldo das contas do escritório hoje. Liste, mês a mês, as parcelas previstas de cada contrato e as saídas: despesas fixas, equipe, guia de imposto do mês anterior, pró-labore e despesas pontuais, como 13º e licenças anuais. O saldo final de um mês é o inicial do seguinte. Depois, refaça a conta tirando as parcelas que dependem de aprovação do cliente.

Qual a diferença entre fluxo de caixa e controle financeiro?

O controle financeiro registra o que já aconteceu e o que está combinado: lançamentos, categorias, baixas e o fechamento do mês. O fluxo de caixa usa esses registros para olhar para frente e responder se vai faltar dinheiro e quando. Sem lançamentos previstos, com vencimento, não existe fluxo de caixa, só extrato.

Por que projetar 90 dias e não o ano inteiro?

Porque 90 dias cobrem uma etapa inteira de um projeto médio e ainda dão tempo de agir: cobrar, renegociar, adiar uma compra ou segurar a distribuição de lucros. A projeção do ano é útil para planejar, mas em escritório de projeto as parcelas de longo prazo mudam com as aprovações. Revise os 90 dias toda semana e o ano a cada trimestre.

O imposto entra no fluxo de caixa no mês do recebimento ou no seguinte?

No seguinte, que é quando a guia vence. No Simples, o DAS de um mês é pago no mês seguinte; no carnê-leão, até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento. Mas reserve o valor no dia em que o dinheiro entra: no fluxo, a guia aparece como saída do mês seguinte, calculada sobre os recebimentos do mês anterior.

Fontes

  1. 01Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Simples Nacional, art. 18 e Anexo III (Planalto)
  2. 02Receita Federal: Perguntas e Respostas IRPF 2026 (prazo do carnê-leão)

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