Artigo · Preço, proposta e contrato
Hora técnica do arquiteto: como calcular o seu valor
Equipe Croqui Atualizado em 7 min de leitura
Resposta curta
A hora técnica do arquiteto é o preço de venda de uma hora de trabalho. Calcule o custo-hora (custo mensal do escritório dividido pelas horas produtivas) e divida por 1 menos imposto e margem. Um escritório com R$ 22.500 de custo e 300 horas produtivas tem custo-hora de R$ 75 e hora técnica perto de R$ 110.
Como o Croqui resolve isso
A hora técnica só fica certa quando o custo do mês é real, não estimado. No Croqui, as despesas lançadas no financeiro mostram esse custo, e o orçamento calcula o custo-hora a partir delas.
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Passo 1: Lance as despesas do escritório
Aluguel, softwares, contador e retiradas entram como lançamentos com categoria e conta. É a base do custo mensal, sem planilha paralela.
Lançamentos -
Passo 2: Confira o custo real do mês
O relatório mensal mostra receitas e despesas, previsto e realizado e as retiradas. É o número que entra no numerador do custo-hora.
Relatório mensal -
Passo 3: Use o valor-hora no orçamento
O custo-hora por papel sai das despesas pagas nos últimos meses (três, por padrão), ajustável à mão, e o valor-hora de venda do escritório vira o preço das horas de cada etapa.
Orçamento do projeto
Este artigo faz parte do guia Proposta comercial de arquitetura: do orçamento ao contrato assinado .
A hora técnica do arquiteto é o preço de uma hora de trabalho do escritório. É o número que transforma horas estimadas num orçamento e que diz quanto cobrar por uma revisão extra. Quem não sabe o próprio valor da hora copia o preço do concorrente e descobre no fim do ano que trabalhou de graça.
Este post mostra a conta em dois passos, primeiro o custo-hora e depois a hora técnica, com um escritório fictício. Ele faz parte do guia de proposta comercial de arquitetura.
Qual a diferença entre custo-hora e hora técnica?
O custo-hora é quanto uma hora custa para o escritório. A hora técnica é quanto o escritório cobra por ela, com imposto e margem. A primeira é piso; a segunda é preço.
| Custo-hora | Hora técnica | |
|---|---|---|
| O que é | custo de manter o escritório, por hora produtiva | preço de venda da hora |
| Inclui imposto sobre a receita | não | sim |
| Inclui lucro | não | sim |
| Para que serve | saber se um preço paga o trabalho | orçar, cobrar revisão extra, aditivo |
Como calcular o custo-hora do escritório?
Some todos os custos do mês e divida pelas horas produtivas, aquelas que vão para projeto. A fórmula é curta:
Custo-hora = custo mensal / horas produtivas do mês
Passo 1: o custo mensal
Exemplo de escritório fictício com dois sócios e uma estagiária. Os valores são hipóteses para a conta.
| Item mensal | Valor |
|---|---|
| Pró-labore dos 2 sócios (R$ 7.000 cada) | R$ 14.000 |
| Bolsa e auxílio-transporte da estagiária | R$ 1.800 |
| Sala, condomínio, energia e internet | R$ 2.600 |
| Licenças de software e nuvem | R$ 1.400 |
| Contador, anuidade do CAU rateada, seguro, banco | R$ 900 |
| Reserva para trocar computadores | R$ 500 |
| Marketing, deslocamentos e diversos | R$ 1.300 |
| Custo mensal | R$ 22.500 |
Dois cuidados. O pró-labore entra como custo, porque o trabalho dos sócios não é de graça; quanto tirar está em pró-labore do arquiteto. E o imposto sobre a receita não entra aqui: ele depende do faturamento e vai no passo da hora técnica.
Passo 2: as horas produtivas
Hora produtiva é a que vai para projeto. Reunião comercial, administração, e-mail, financeiro e visita sem cobrança consomem uma parte grande do mês, principalmente dos sócios.
| Pessoa | Horas no mês | Parte produtiva | Horas produtivas |
|---|---|---|---|
| Sócio 1 (8 h x 21 dias) | 168 h | 62,5% | 105 h |
| Sócio 2 (8 h x 21 dias) | 168 h | 62,5% | 105 h |
| Estagiária (6 h x 21 dias) | 126 h | cerca de 71% | 90 h |
| Total | 462 h | 300 h |
Custo-hora = R$ 22.500 / 300 h = R$ 75 por hora.
O erro mais comum é dividir pelas 462 horas do mês. Daria R$ 48,70, um custo que parece bom e esconde as horas que ninguém cobra.
Como transformar o custo-hora em hora técnica?
Divida o custo-hora por 1 menos a soma do imposto e da margem, ambos em percentual do preço. Multiplicar não funciona, porque imposto e margem incidem sobre o preço, não sobre o custo.
Hora técnica = custo-hora / (1 - imposto - margem)
No exemplo, com alíquota efetiva de imposto de 10% (a que o contador informar para o seu regime) e margem de 20%:
- Certo: R$ 75 / (1 - 0,10 - 0,20) = R$ 75 / 0,70 = R$ 107,14. Arredonde para R$ 110.
- Errado: R$ 75 x 1,30 = R$ 97,50. Sobre R$ 97,50 de preço, 10% de imposto e 20% de margem somam R$ 29,25, e sobram R$ 68,25 para pagar um custo de R$ 75.
A alíquota efetiva depende do regime tributário e, no Simples Nacional, do anexo e do faturamento. O post sobre Simples Nacional para arquitetos explica como ela muda.
O que o CAU diz sobre o valor da hora técnica?
O CAU/BR não fixa um preço de hora. O Módulo I da Tabela de Honorários ensina a calcular, no item 6.2, a modalidade pelo custo do serviço: horas de cada profissional vezes o custo horário, multiplicado por um coeficiente chamado fator K.
O fator K soma, sobre o custo direto, os encargos sociais, as despesas indiretas, os impostos e o lucro. Na composição de referência do Anexo VII, feita para empresa no lucro presumido com equipe registrada, o fator K1 da equipe técnica permanente é 3,8922, com encargos sociais de 85,64%, despesas indiretas de 55,76%, lucro de 10% e despesas legais de 22,37%. O próprio documento avisa que cada escritório deve refazer a conta com o seu regime e os seus custos.
Para o salário que entra nessa conta, o CAU remete ao piso profissional. Pela Resolução CAU/BR nº 150/2017, o salário mínimo profissional do arquiteto empregado é de 6 salários mínimos para 6 horas diárias, com acréscimo para as horas além da sexta; o Módulo I cita 8,5 salários mínimos para 8 horas. Com o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, a conta fica assim:
| Item | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Piso para 8 h diárias | 8,5 x R$ 1.621 | R$ 13.778,50 por mês |
| Horas trabalhadas no mês (Anexo III do Módulo I) | 166,04 h | |
| Custo horário do salário | R$ 13.778,50 / 166,04 | R$ 82,98 |
| Preço de venda com o fator K1 de referência | R$ 82,98 x 3,8922 | R$ 322,99 |
Leia esse número como o CAU propõe: a hora de um arquiteto registrado no piso, numa empresa de lucro presumido com a estrutura de custos da tabela. Não é preço de mercado nem valor mínimo obrigatório. Escritório pequeno, no Simples, sem funcionário administrativo, tem fator bem menor. O valor da conta é mostrar quanto custo existe em volta de uma hora de salário.
Como usar a hora técnica no orçamento?
Estime as horas de cada etapa e multiplique pela hora técnica. No exemplo do pilar, uma casa de 180 m² com 326 horas estimadas, a R$ 110, dá R$ 35.860 antes das despesas.
A hora técnica também é o preço de tudo o que sai do escopo:
- Revisão extra, além das rodadas incluídas, cobrada por hora ou em pacote fechado.
- Aditivo de escopo, quando o programa ou a área mudam. O valor sai de horas novas vezes a hora técnica, como mostra o verbete de aditivo contratual.
- Etapas preliminares, como levantamento e viabilidade, que a tabela do CAU manda calcular pelo custo do serviço.
Para conferir o preço pelo percentual sobre a obra, o método da tabela está em quanto cobrar por projeto de arquitetura.
De quanto em quanto tempo recalcular?
A cada seis meses, ou quando o custo mudar: um novo funcionário, um aluguel novo, uma assinatura de software cara. O custo-hora também muda quando as horas produtivas mudam, e é aí que mora a surpresa.
A única forma de saber as horas produtivas reais é apontar horas por projeto. Sem isso, a parte produtiva da tabela acima é palpite. O post sobre controle de horas no escritório de arquitetura mostra como apontar sem virar burocracia.
O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. O financeiro do Croqui já guarda as despesas do mês, e o orçamento calcula o custo-hora por papel a partir delas.
Erros comuns no cálculo da hora técnica
- Esquecer o pró-labore. O custo-hora fica baixo porque o dono trabalha de graça.
- Dividir pelas horas do mês, não pelas produtivas.
- Multiplicar o custo por 1 mais a margem, em vez de dividir por 1 menos imposto e margem.
- Usar a hora técnica de outro escritório. O custo dele não é o seu.
- Nunca recalcular. O aluguel subiu, a equipe cresceu, e a hora continua a de dois anos atrás.
Perguntas frequentes
Como calcular o valor da hora do arquiteto?
Some os custos mensais do escritório (pró-labore, salários com encargos, aluguel, softwares, contador, equipamentos) e divida pelas horas produtivas do mês, aquelas que de fato vão para projeto. Isso é o custo-hora. Depois divida o custo-hora por 1 menos a alíquota de imposto e a margem: com custo-hora de R$ 75, 10% de imposto e 20% de margem, a hora técnica fica em R$ 75 / 0,70, cerca de R$ 107.
O CAU tem uma tabela com o valor da hora técnica?
Não há um valor de hora fixado pelo CAU/BR. O Módulo I da Tabela de Honorários manda calcular as etapas por hora pelo custo do serviço: horas de cada profissional vezes o custo horário, multiplicado por um fator K que soma encargos, despesas indiretas, impostos e lucro. Para o salário, o CAU remete ao piso profissional, de 6 salários mínimos para 6 horas diárias (Resolução CAU/BR nº 150/2017).
Hora técnica e custo-hora são a mesma coisa?
Não. O custo-hora é quanto uma hora custa ao escritório, sem lucro e sem imposto sobre a receita. A hora técnica é o preço de venda dessa hora, já com imposto e margem. Cobrar o custo-hora como se fosse hora técnica é trabalhar no zero a zero, e qualquer hora a mais que o projeto consumir vira prejuízo.
Arquiteto júnior e sênior devem ter hora técnica diferente?
O custo é diferente, porque salário e produtividade são diferentes. Muitos escritórios usam um valor de hora de venda único na proposta e controlam o custo por papel por dentro, para medir a margem. Outros cobram por perfil. Os dois funcionam, desde que o custo de cada papel esteja calculado. Não há fonte oficial com valor de mercado por nível de experiência.