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Artigo · Gestão do escritório

Quanto cobrar por projeto de arquitetura: tabela do CAU, custo-hora e exemplos

Equipe Croqui Atualizado em 10 min de leitura

Resposta curta

Há dois caminhos reconhecidos pela Tabela de Honorários do CAU/BR: percentual sobre o custo estimado da obra, com a fórmula PV = Sc x BH x (fp x R), recomendado para projeto de edificações, e o custo do serviço, que soma horas, despesas, encargos e lucro. Em qualquer um, o preço só fecha se cobrir o custo-hora real do escritório.

Este artigo faz parte do guia Gestão de escritório de arquitetura: o guia para abrir, organizar e crescer .

Quanto cobrar por projeto de arquitetura é a pergunta que mais define se o escritório vai durar. Preço baixo não aparece na primeira obra: aparece no fim do ano, quando a conta não fecha e ninguém sabe em que projeto o dinheiro sumiu. Este guia mostra os dois métodos reconhecidos pela Tabela de Honorários do CAU/BR, a fórmula com um exemplo completo, como calcular o custo-hora do escritório e como transformar o número numa proposta.

Ele é parte do guia de gestão de escritório de arquitetura. Os valores de exemplo são hipóteses montadas para o cálculo, não preço de mercado.

Existe tabela de preço do CAU para projeto de arquitetura?

Existe uma tabela de referência, não um preço obrigatório. A Tabela de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil foi aprovada pelo CAU/BR em módulos: o Módulo I, de remuneração do projeto arquitetônico de edificações, pela Resolução nº 64/2013, e os Módulos II e III, de projetos e serviços diversos e de execução de obras, pela Resolução nº 76/2014. Os documentos estão na página da Tabela de Honorários do CAU/BR.

O próprio Módulo I diz que o custo da obra que serve de base “deverá ser acordado pelas partes”, dentro do princípio da negociação entre contratante e contratado. A tabela é o argumento técnico da proposta: mostra ao cliente de onde o número vem.

Os dois métodos de cobrança

O Módulo I reconhece duas modalidades básicas de remuneração (item 5.1):

ModalidadeComo calculaQuando usar
01: percentual sobre o custo da obrapercentual aplicado sobre o custo estimado de execuçãoprojeto de edificações, com área e programa definidos
02: custo do serviçosoma de horas técnicas, despesas, encargos, BDI e lucroescopo indefinido: levantamento, viabilidade, assessoria, acompanhamento de obra, serviços extras

A tabela recomenda a primeira para projeto de edificações e diz que ela é a adotada pela União Internacional de Arquitetos e pela maioria das entidades. A segunda cobre o que não dá para quantificar antes, como as etapas preliminares e o acompanhamento de obra, que a tabela manda calcular pela modalidade 02.

Fórmula da tabela do CAU para projeto de edificações

O preço de venda do projeto arquitetônico, pelo item 7.3.5 do Módulo I, é:

PV = Sc x BH x (fp x R)

TermoO que é
PVpreço de venda do projeto, em reais
Scárea construída estimada, em m²; áreas descobertas projetadas entram com 25%
BHbase de honorários, em R$/m²: o CUB da tipologia vezes um fator de adequação (Anexo I, Tabela 8)
fpfator percentual da Tabela 5, conforme a área e a complexidade
Rredutor para áreas repetidas: R = Sp / Sc, em que Sp é a área de projeto

A base de honorários (BH)

A BH parte do CUB, o Custo Unitário Básico de construção por metro quadrado, que cada estado calcula e publica mensalmente. A Tabela 8 do Módulo I liga cada tipologia a um padrão de CUB e aplica um fator de adequação. Exemplos da tabela:

Tipologia (Tabela 8)CategoriaPadrão do CUBFator de adequação
Residência padrão baixoIIR-1-B1,00
Residência padrão médioIIIR-1-N1,50
Residência padrão elevadoIVR-1-A2,00
Edifício de apartamentos padrão normalIR-8-N1,50
Lojas, butiques e showroomsIVCSL-16-A1,50

A BH é o CUB do seu estado, no padrão indicado, vezes o fator. A Tabela 8 traz valores calculados com um CUB de 2013, como exemplo; use sempre o CUB atual do seu estado.

O fator percentual (fp)

O fp vem da Tabela 5 do Módulo I e diminui conforme a área cresce. As colunas são as categorias de tipologia, que também podem ser escolhidas pelo índice de complexidade (IC) do Anexo II:

Área construída estimada (Sc)I / Baixo (IC 0,70 a 0,85)II / Médio (IC 0,86 a 1,00)III / Alto (IC 1,01 a 1,15)IV / Especial (IC 1,16 a 1,30)
até 250 m²7,33%8,39%9,61%11,00%
500 m²6,44%7,37%8,44%9,66%
1.000 m²5,66%6,47%7,41%8,48%
2.000 m²4,97%5,68%6,51%7,45%
4.000 m²4,36%4,99%5,71%6,54%
8.000 m²3,83%4,38%5,02%5,74%
16.000 m²3,36%3,85%4,41%5,04%

Para áreas intermediárias, a tabela manda interpolar:

fp = fp1 - [(fp1 - fp2) x (Sc - Sc1) / (Sc2 - Sc1)]

Exemplo: casa de 320 m² padrão elevado

Hipóteses do exemplo: residência unifamiliar de padrão elevado (categoria IV), 300 m² cobertos e 80 m² de área descoberta projetada (deck e piscina), num estado em que o CUB R-1-A seja R$ 3.000/m². Esse CUB é um número hipotético para a conta; consulte o valor do mês no seu estado.

  1. Área (Sc): 300 + 25% de 80 = 300 + 20 = 320 m².
  2. BH: 3.000 x 2,00 (fator de adequação de residência padrão elevado) = R$ 6.000/m².
  3. fp por interpolação, coluna IV: entre 250 m² (11,00%) e 500 m² (9,66%): fp = 11,00 - [(11,00 - 9,66) x (320 - 250) / (500 - 250)] = 11,00 - (1,34 x 0,28) = 11,00 - 0,375 = 10,625%.
  4. R: casa sem áreas repetidas, então Sp = Sc e R = 1.
  5. PV: 320 x 6.000 x (0,10625 x 1) = R$ 204.000.

Isso equivale a R$ 637,50 por metro quadrado de área considerada. O número parece alto ou baixo dependendo do mercado local, e é exatamente aí que entra a segunda conferência: o custo-hora.

Áreas repetidas: o redutor R

Em edifícios com pavimentos tipo, a área repetida não custa o mesmo para projetar. A tabela calcula a área de projeto como Sp = Snr + (Sr x r), em que Snr é a área que não se repete, Sr a área repetida e r o redutor da Tabela 4, que depende do número de repetições. Depois, R = Sp / Sc reduz o fp. Use a Tabela 4 do Módulo I para o valor de r.

Como calcular o custo-hora do escritório

O custo-hora é o piso do preço. Qualquer método de cobrança precisa, no fim, pagar as horas que o projeto vai consumir.

Custo-hora = custo mensal total / horas produtivas do mês

Exemplo de escritório pequeno, com números hipotéticos:

Item mensalValor
Pró-labore de 2 sóciosR$ 12.000
Aluguel, condomínio, energia, internetR$ 2.500
Softwares e nuvemR$ 1.200
Contador, taxas, CAU, seguroR$ 900
Equipamentos (depreciação)R$ 400
Marketing e diversosR$ 1.000
Custo mensalR$ 18.000

Horas produtivas: 2 sócios x 160 horas por mês = 320 horas. Mas nem toda hora é projeto: reunião comercial, administração, e-mail e visitas sem cobrança consomem, com folga, um quarto do tempo. Ficam 240 horas produtivas.

Custo-hora = 18.000 / 240 = R$ 75 por hora.

Sobre esse custo entram o imposto sobre a receita (no Simples Nacional, arquitetura está no Anexo V ou no III, conforme o fator R, como explica o guia de gestão de escritório) e a margem de lucro. Com 15% de imposto médio e 20% de margem, a hora vendida precisa ficar perto de R$ 75 / (1 - 0,15 - 0,20) = R$ 115.

Conferindo o exemplo da casa pelo custo-hora

A casa de 320 m² do exemplo, cobrada a R$ 204.000, paga 1.774 horas a R$ 115. Se o escritório estima gastar 900 horas em todas as etapas, o preço da tabela dá folga. Se estima 2.000 horas, a tabela não cobre o custo e o escopo precisa ser revisto.

Esse é o uso certo das duas contas juntas: a tabela fundamenta o preço diante do cliente, e o custo-hora diz se o preço paga o trabalho. Para estimar horas, use o histórico de projetos parecidos. Escritório que não lança horas por projeto não tem esse histórico, e é por isso que o guia de gestão recomenda começar por aí.

Modalidade 02: cobrar pelo custo do serviço

Para serviços sem escopo fechado, o Módulo I (item 6.2) monta o preço somando:

  1. Horas técnicas de cada profissional envolvido, estimadas por tipo e quantidade de documentos;
  2. Despesas diretas (cópias, viagens, taxas);
  3. Serviços de apoio técnico (levantamento topográfico, maquetes, renders terceirizados);
  4. Encargos sociais e BDI, que reúnem despesas indiretas, tributos e lucro.

Na prática, é o custo-hora vendido multiplicado pelas horas estimadas, mais as despesas. Use essa modalidade para:

  • levantamento cadastral e programa de necessidades;
  • estudo de viabilidade do terreno;
  • assessoria para aprovação na prefeitura;
  • acompanhamento de obra, com número de visitas definido;
  • as built;
  • revisões além das previstas em contrato.

Como dividir o pagamento por etapas

A Tabela 6 do Módulo I recomenda o parcelamento dos honorários pelas etapas de projeto:

EtapaPercentual recomendadoAlternativa negociável
Estudo preliminar10%15%
Anteprojeto30%35%
Projeto (total)60%50%
Projeto para execução50%30%
Coordenação e compatibilização10%20%

O item 7.5 recomenda 10% na assinatura do contrato ou no aceite da proposta, o saldo proporcional às etapas e, para etapas com mais de 60 dias, parcelas mensais. A tabela observa ainda que, em projetos desenvolvidos em BIM ou que exigem aprofundar as etapas iniciais, os percentuais devem ser redistribuídos, aumentando os das primeiras etapas. Faz sentido: em BIM, o modelo do anteprojeto já carrega boa parte do trabalho que antes ficava para o executivo.

Como montar a proposta

O Módulo I lembra que o Código de Defesa do Consumidor exige orçamento prévio e que o profissional, perante o cliente, é fornecedor. A proposta precisa ser clara o bastante para virar contrato:

  1. Objeto: endereço, área estimada, programa resumido.
  2. Escopo por etapa: o que será entregue em cada uma, peça por peça.
  3. Revisões incluídas em cada etapa e o valor da revisão extra.
  4. O que não está incluído: projetos complementares, taxas, levantamento topográfico, acompanhamento de obra.
  5. Valor e parcelamento por etapa, com o sinal.
  6. Prazos por etapa e o que suspende a contagem (resposta do cliente, documentos, prefeitura).
  7. Validade da proposta.

Mostrar a conta da tabela do CAU na proposta ajuda o cliente a entender que o preço tem método. O passo seguinte é o contrato de projeto de arquitetura, que transforma esses itens em cláusulas.

O que derruba a margem depois de fechado o preço

O preço certo na proposta ainda pode virar prejuízo na execução. As três causas mais comuns:

  • Revisão ilimitada. O contrato não diz quantas rodadas cada etapa inclui, e o cliente pede a sétima versão da fachada.
  • Etapa sem aprovação formal. Uma mudança de layout no projeto executivo refaz plantas, cortes, quadros, memorial e pranchas.
  • Documentação refeita à mão a cada revisão. Quadro de áreas, memorial e pranchas atualizados manualmente a cada mudança do modelo consomem horas que não estavam no orçamento.

O terceiro ponto é o que mais pesa em escritório pequeno. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. Com o quadro de áreas e as pranchas saindo do modelo, a revisão deixa de comer as horas que o preço não previu.

Erros comuns na hora de cobrar

  1. Copiar o preço do concorrente sem saber o próprio custo.
  2. Cobrar por metro quadrado fixo para qualquer tipologia e complexidade.
  3. Esquecer as áreas descobertas ou os serviços preliminares na conta.
  4. Incluir acompanhamento de obra no preço do projeto sem número de visitas.
  5. Não reajustar propostas antigas pelo CUB ou pelo custo-hora atual.
  6. Dar desconto no escopo e não no preço, entregando o mesmo trabalho por menos.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar por metro quadrado de projeto de arquitetura?

Não existe um valor por metro quadrado único. Pela Tabela de Honorários do CAU/BR, o preço do projeto de edificações é a área construída vezes uma base de honorários por metro quadrado (ligada ao CUB e à tipologia) vezes um fator percentual que vai de 7,33% a 11,00% para obras de até 250 m², caindo conforme a área aumenta. Dividindo o resultado pela área, você chega ao seu valor por metro quadrado para aquele projeto.

Qual a porcentagem do arquiteto sobre a obra?

Na tabela do CAU, o fator percentual aplicado sobre o custo estimado da obra depende da área e da complexidade: para até 250 m², de 7,33% (complexidade baixa) a 11,00% (especial); para 1.000 m², de 5,66% a 8,48%; e cai até 2,00% a 3,00% acima de 256.000 m². Esse percentual remunera o projeto arquitetônico com coordenação e compatibilização, não a administração da obra, que é serviço à parte.

Como calcular o valor da hora do arquiteto?

Some os custos mensais do escritório (aluguel, softwares, equipamentos, contador, pró-labore, salários com encargos, impostos médios) e divida pelas horas produtivas do mês, aquelas que de fato vão para projeto. Um escritório com custo de R$ 18.000 por mês e 240 horas produtivas tem custo-hora de R$ 75. O preço da hora vendida soma margem de lucro e risco sobre esse custo.

Existe tabela de preço obrigatória do CAU?

Não. A Tabela de Honorários do CAU/BR é referência, aprovada pelas Resoluções CAU/BR nº 64/2013 e 76/2014, e o próprio documento diz que o custo da obra deve ser acordado entre contratante e contratado. Ela serve para fundamentar a proposta e para mostrar ao cliente de onde vem o número, mas o preço final é negociado.

Como dividir o pagamento do projeto por etapas?

A Tabela de Honorários do CAU recomenda, como referência, 10% para o estudo preliminar, 30% para o anteprojeto e 60% para o projeto (50% projeto para execução e 10% coordenação e compatibilização), com uma alternativa de 15%, 35% e 50%. Recomenda também 10% na assinatura do contrato e parcelas mensais nas etapas com mais de 60 dias. Os percentuais são negociáveis.

Fontes

  1. 01CAU/BR: Tabela de Honorários
  2. 02CAU/BR: Tabelas de Honorários, Módulo I: Remuneração do Projeto Arquitetônico de Edificações
  3. 03CAU/BR: Resolução nº 76, de 10 de abril de 2014 (Módulos II e III da Tabela de Honorários)
  4. 04Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Simples Nacional (Planalto)

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