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Artigo · Preço, proposta e contrato

Contrato de design de interiores: cláusulas e modelo comentado

Equipe Croqui Atualizado em 6 min de leitura

Resposta curta

O contrato de design de interiores precisa definir o escopo por ambiente e por etapa, quantas alternativas de layout e imagens 3D estão incluídas, revisões, prazos, valor e parcelas, o papel do escritório nas compras e na obra, quem responde por mudanças estruturais e pelo plano de reforma em condomínio, direitos autorais e rescisão.

Como o Croqui resolve isso

Contrato de interiores bom é escrito uma vez e reaproveitado. O contrato do Croqui parte de um modelo do escritório e se preenche com o orçamento aprovado.

  1. Passo 1: Escreva o modelo do escritório

    As cláusulas que valem para todo contrato, com variáveis de cliente, projeto, valores e etapas. A cláusula de foro é obrigatória, e você vê o modelo preenchido com dados de exemplo.

    Modelo de contrato do escritório no Croqui, com as cláusulas que valem para todo contrato gerado. Ampliar a tela Modelo de contrato
    Modelo de contrato
  2. Passo 2: Gere o contrato da proposta aceita

    O contrato sai preenchido com cliente, etapas e parcelas do orçamento aprovado. Você ajusta as cláusulas daquele cliente e envia para assinatura no portal.

    Contrato gerado do orçamento aprovado, com as cláusulas editáveis, os termos, o PDF e o envio para assinatura. Ampliar a tela Contrato
    Contrato
  3. Passo 3: Registre cada aprovação do projeto

    Layout, pontos, superfícies e orçamento de compras vão por link. O cliente aprova ou pede ajuste item a item, e a resposta fica no histórico, que dá base à cláusula de revisões.

    Aprovação por link

Este artigo faz parte do guia Proposta comercial de arquitetura: do orçamento ao contrato assinado .

O contrato de design de interiores tem quase tudo do contrato de arquitetura e mais três assuntos que o de arquitetura quase nunca precisa resolver: quantas alternativas e imagens o cliente recebe, qual o papel do escritório nas compras, e quem responde quando o projeto mexe em parede, piso ou instalação de um apartamento em condomínio.

Este post comenta as cláusulas uma a uma e termina com um checklist. Ele não é parecer jurídico: leve o seu modelo a um advogado uma vez e reaproveite. Faz parte do guia de proposta comercial de arquitetura, e as cláusulas gerais, que valem para os dois tipos de projeto, estão em contrato de projeto de arquitetura.

Quem pode assinar um contrato de design de interiores?

Arquitetos e designers de interiores. A Lei 13.369/2016 reconhece a profissão de designer de interiores e ambientes, e a lei do CAU dá ao arquiteto a atribuição de arquitetura de interiores.

A diferença aparece em dois pontos do contrato:

  • Mudança estrutural. O parágrafo único do art. 4º da Lei 13.369/2016 diz que atividades que alterem elementos estruturais devem ser aprovadas e executadas por profissionais capacitados e autorizados por lei. O contrato do designer precisa dizer quem é esse profissional e quem o contrata.
  • Contrato escrito. Para o arquiteto, o Código de Ética e Disciplina do CAU/BR, item 4.2.10, pede que os compromissos profissionais sejam formalizados por escrito, com escopo, prazos, remuneração e forma de pagamento.

Cláusulas essenciais do contrato de design de interiores

1. Partes e imóvel

Nome, documento e endereço das partes. Endereço do imóvel, se é casa ou apartamento, área e se é próprio ou alugado. Imóvel alugado pede autorização do proprietário para reforma.

2. Escopo por ambiente e por etapa

É a cláusula mais importante. Liste os ambientes incluídos e, para cada etapa, as entregas.

EtapaEntregasAmbientes
Levantamentomedição, planta do existente, fotostodos os do escopo
Estudo de layoutlayout por ambiente, moodboardsala, cozinha, 3 dormitórios, home office
Anteprojetoimagens 3D, materiais e coressala, cozinha e suíte
Executivomarcenaria, pontos, forro, paginação, elevaçõestodos os do escopo
Especificaçãolista de compras por ambientetodos os do escopo

“Todos os ambientes” sem lista vira discussão quando o cliente pede a varanda e o lavabo. O que costuma entrar em cada entrega está em projeto de interiores: o que entregar.

3. Alternativas, imagens 3D e revisões

Diga quantas alternativas de layout o estudo inclui (por exemplo, duas), quantas imagens 3D e de quais ambientes, e quantas rodadas de revisão cada etapa tem. Diga também quanto custa a imagem extra e a revisão extra, por hora técnica ou por pacote.

4. O que não está incluído

Execução da obra, compra de materiais e móveis, projetos complementares de elétrica, hidráulica e ar-condicionado, laudo ou projeto estrutural, aprovação no condomínio, taxas e acompanhamento de obra além das visitas combinadas.

5. Prazos e o que suspende a contagem

Prazo de cada etapa contado a partir do aceite da anterior. Suspensão enquanto o cliente não aprova, não envia medidas ou não decide materiais. Em interiores, decisão de material é o que mais atrasa.

6. Valor, parcelas e reajuste

Valor por etapa e total, sinal na assinatura, parcelas na aprovação de cada etapa e reajuste se o contrato passar de um prazo. O art. 40 do CDC pede que o orçamento prévio traga valores, condições de pagamento e datas, e o contrato repete o que foi aprovado. Como chegar ao valor está em orçamento de projeto de interiores.

7. Compras e fornecedores

Diga se o escritório indica, cota, acompanha ou compra em nome do cliente, e se esse trabalho é cobrado à parte. E diga que o escritório não responde por prazo, preço ou defeito de produto de fornecedor, que é relação do cliente com a loja.

Para o arquiteto, o Código de Ética do CAU/BR, item 3.2.16, proíbe receber comissão, gratificação ou vantagem dos fornecedores do cliente. A remuneração pelo acompanhamento de compras é do cliente, declarada no contrato.

8. Reforma em condomínio e responsabilidade técnica

Projeto de interiores em apartamento costuma virar reforma. A norma de reformas em edificações, a ABNT NBR 16280, pede que o proprietário apresente ao condomínio um plano de reforma com profissional habilitado antes da obra, como explica o CAU/BR. O contrato precisa dizer quem prepara esse plano, quem emite o RRT ou a ART e quem responde pela execução.

9. Acompanhamento de obra

Se incluído, número de visitas, duração e o que o escritório faz nelas: conferir medidas, tirar dúvidas da marcenaria, registrar não conformidades. Sem número fixo, o acompanhamento vira presença diária.

10. Direitos autorais e imagens

A Lei 9.610/1998 protege projetos e esboços como obras intelectuais. O contrato deve dizer que o projeto é para aquele imóvel, que a reprodução depende de autorização e se o escritório pode fotografar e publicar o resultado no portfólio.

11. Rescisão

O que é pago pelo trabalho feito, aviso prévio, multa e o que o cliente pode fazer com o material entregue. Se o contrato for fechado fora do escritório, como na casa do cliente ou por telefone, o art. 49 do CDC dá ao consumidor 7 dias para desistir, com devolução do que pagou nesse período. Combine o início dos trabalhos para depois desse prazo, ou deixe o risco claro.

12. Comunicação, aprovação, foro

Canais oficiais, o que vale como aprovação de etapa e o foro. Aprovação por áudio é difícil de provar; aprovação registrada com data e versão, item a item, é fácil.

Checklist do contrato de design de interiores

  • Partes, imóvel, área e autorização do proprietário, se alugado
  • Lista de ambientes do escopo
  • Entregas por etapa
  • Número de alternativas de layout e de imagens 3D
  • Revisões incluídas e preço das extras
  • Lista do que não está incluído
  • Prazos por etapa e suspensões
  • Valor, sinal, parcelas e reajuste
  • Papel nas compras e responsabilidade dos fornecedores
  • Plano de reforma, RRT ou ART e mudanças estruturais
  • Visitas de obra, se houver
  • Direitos autorais e uso de imagens
  • Rescisão, multa e prazo de arrependimento
  • Canais oficiais, forma de aprovação e foro

Como o contrato conversa com o dia a dia do projeto?

A cláusula de revisões só vale se cada aprovação for registrada. Quando o cliente aprova o layout em março e pede outro em maio, é o registro de março que mostra que o pedido é revisão extra.

O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. Em interiores, layout, pontos, superfícies e a lista de compras vão para o cliente pelo portal de aprovação por link, e cada resposta fica no histórico. O contrato sai do orçamento aprovado no orçamento e proposta, e o cliente assina no mesmo portal, com nome, CPF e um código enviado por e-mail.

Erros comuns no contrato de interiores

  1. “Projeto de todos os ambientes” sem lista.
  2. Alternativas e imagens 3D sem limite.
  3. Escritório respondendo pelo fornecedor por falta de cláusula.
  4. Reforma em condomínio sem plano e sem responsável técnico.
  5. Acompanhamento de obra sem número de visitas.
  6. Começar antes de terminar o prazo de arrependimento de um contrato fechado na casa do cliente.

Perguntas frequentes

O que não pode faltar num contrato de design de interiores?

Partes e imóvel, escopo por ambiente e por etapa com as entregas, número de alternativas de layout e de imagens 3D, revisões incluídas e preço das extras, o que não está incluído, prazos e suspensões, valor e parcelas, papel do escritório nas compras e na obra, responsabilidade por alterações estruturais e pelo plano de reforma, direitos autorais e uso de imagens, rescisão e foro.

Designer de interiores pode fazer contrato de prestação de serviços?

Pode. A Lei 13.369/2016 reconhece a profissão de designer de interiores e ambientes e lista as suas competências, como projetar ambientes internos, especificar mobiliário e materiais e assessorar compras. O contrato é de prestação de serviços como qualquer outro. A mesma lei diz que alterações nos elementos estruturais devem ser aprovadas e executadas por profissionais habilitados, e isso precisa aparecer no contrato.

O cliente pode desistir do contrato de interiores depois de assinar?

Se o contrato foi fechado fora do escritório, por exemplo na casa do cliente ou por telefone, o art. 49 do Código de Defesa do Consumidor dá a ele 7 dias para desistir, com devolução do que pagou. Depois disso, valem as regras de rescisão do contrato: o que é pago pelo trabalho feito, a multa e o que o cliente pode fazer com o material entregue.

Qual a diferença entre contrato de interiores e contrato de consultoria?

O contrato de projeto entrega documentos para executar: layout, marcenaria, pontos, forro, paginação e especificação. A consultoria entrega orientação, em geral em visitas ou reuniões com número fixo, sem projeto executivo. O contrato de consultoria deve dizer quantos encontros estão incluídos, quanto dura cada um, o que o cliente recebe por escrito depois e que não há responsabilidade por execução.

Fontes

  1. 01Lei nº 13.369, de 12 de dezembro de 2016: profissão de designer de interiores e ambientes (Planalto)
  2. 02Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de Defesa do Consumidor, arts. 40 e 49 (Planalto)
  3. 03Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998: direitos autorais (Planalto)
  4. 04Resolução CAU/BR nº 52, de 6 de setembro de 2013: Código de Ética e Disciplina
  5. 05CAU/BR: Norma de Reformas ABNT (NBR 16280), regras para condomínios e moradores

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