Artigo · Gestão de projetos
Controle de horas no escritório de arquitetura: como apontar sem virar burocracia
Equipe Croqui Atualizado em 6 min de leitura
Resposta curta
Controle de horas no escritório de arquitetura é apontar, todo dia, quanto tempo cada pessoa gastou em cada projeto e etapa. Bastam quatro campos: data, projeto, etapa e horas, com a atividade quando ajudar. Uma vez por semana, compare o gasto com o orçado por etapa. É o dado que corrige o próximo orçamento e mostra quais projetos dão lucro.
Como o Croqui resolve isso
Horas apontadas só servem se forem comparadas com o que foi orçado. O Croqui liga as três pontas: as horas estimadas no orçamento, o apontamento por etapa e a rentabilidade do projeto.
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Passo 1: Estime as horas no orçamento
Cada etapa do orçamento tem atividades com horas por papel, vindas da biblioteca do escritório. É o orçado contra o qual o apontamento é comparado.
Orçamento do projeto -
Passo 2: Aponte por projeto e etapa
Ligue o cronômetro no topo de qualquer tela, escolhendo o projeto e a etapa, ou aponte à mão depois. Cada pessoa vê e edita as próprias horas; quem tem acesso ao financeiro vê as de todos.
Horas do projeto -
Passo 3: Compare orçado e realizado
Uma barra por etapa com o custo realizado contra o orçado, para ver em que etapa o projeto está consumindo a margem enquanto ainda dá para agir.
Rentabilidade do projeto
Este artigo faz parte do guia Gestão de projetos de arquitetura: etapas, prazos, horas e aprovação do cliente .
Controle de horas no escritório de arquitetura soa como burocracia até o dia em que um projeto fecha no prejuízo e ninguém sabe dizer em qual etapa. O anteprojeto orçado em 90 horas levou 140? A culpa foi das revisões ou da estimativa? Sem horas apontadas, a resposta é palpite.
Este post mostra o que apontar, como fazer isso em poucos minutos por dia e como usar o dado. Ele faz parte do guia de gestão de projetos de arquitetura.
Por que controlar horas no escritório de arquitetura?
Porque a hora é o que o escritório vende. Sem saber quantas horas cada etapa consumiu, não dá para saber se o preço pagou o trabalho, nem para orçar o próximo projeto com números reais.
O Módulo I da Tabela de Honorários do CAU/BR, no item 6.2.2.1, diz que cabe a quem orça estimar as horas de cada profissional e evitar, prioritariamente, o subdimensionamento da carga de trabalho, que no fim do contrato resulta em prejuízo. A única fonte confiável para essa estimativa é o histórico do próprio escritório.
O apontamento serve a quatro decisões:
- Orçar melhor: horas reais por etapa em projetos parecidos.
- Cobrar o que saiu do escopo: revisão extra e aditivo com horas medidas.
- Medir o lucro de cada projeto: horas vezes custo-hora, contra o que foi recebido.
- Calcular o custo-hora: a parte do mês que de fato vai para projeto.
O que apontar no controle de horas?
Quatro campos bastam: data, projeto, etapa e horas. Acrescente a atividade só se você vai usá-la para orçar. Quanto mais campos, menos gente aponta.
Modelo de planilha de apontamento:
| Data | Pessoa | Projeto | Etapa | Atividade | Horas |
|---|---|---|---|---|---|
| 06/10 | Ana | Casa Silva | Anteprojeto | modelagem | 3,5 |
| 06/10 | Ana | Casa Silva | Anteprojeto | reunião com cliente | 1,5 |
| 06/10 | Ana | Interno | Comercial | proposta Apto Moema | 2,0 |
| 06/10 | Bruno | Clínica Centro | Projeto legal | pranchas da prefeitura | 6,0 |
Três regras deixam a planilha útil:
- Etapas iguais às da proposta. Se a proposta tem estudo, anteprojeto, legal e executivo, o apontamento usa as mesmas. Assim, orçado e realizado se comparam linha a linha.
- Um projeto “Interno” para comercial, administração, financeiro e estudo. Essas horas não são de nenhum cliente, mas precisam aparecer.
- Blocos de meia hora. Precisão de minuto não muda nenhuma decisão.
Cronômetro ou apontamento no fim do dia?
Os dois funcionam. O cronômetro mede melhor, mas depende de lembrar de ligar e desligar. O fim do dia é mais rápido e preciso o bastante para orçar.
| Forma | Vantagem | Risco |
|---|---|---|
| Cronômetro | precisão, nada esquecido | cronômetro ligado durante o almoço |
| Fim do dia | 3 a 5 minutos, sem interromper o trabalho | arredondar demais |
| Fim da semana | nenhuma | o dado vira estimativa |
O que não funciona é deixar para sexta-feira ou para o fim do mês. A memória arredonda, e a reunião de duas horas vira “uma manhã de anteprojeto”.
Como comparar horas orçadas e gastas?
Uma vez por semana, some as horas por projeto e etapa e ponha ao lado do orçado. O dado mais útil é a etapa em andamento: quanto já foi gasto e quanto falta para entregar.
Exemplo da Casa Silva, uma casa de 180 m² orçada a partir da proposta comercial:
| Etapa | Orçado | Gasto | Situação |
|---|---|---|---|
| Levantamento e programa | 16 h | 14 h | concluída |
| Estudo preliminar | 50 h | 68 h | concluída, 3 rodadas de revisão |
| Anteprojeto | 90 h | 70 h | em andamento, memorial e fachadas pendentes |
O estudo estourou 18 horas por causa de uma terceira rodada de revisão que o contrato não incluía. Duas decisões saem daí: cobrar a rodada extra, se o contrato prevê, e ajustar a estimativa do estudo nas próximas propostas. No anteprojeto, 70 de 90 horas foram gastas com duas entregas pendentes: é hora de avisar o cliente sobre o prazo ou rever a ordem das tarefas.
A conta do lucro do projeto inteiro, com receita, imposto, horas e despesas, está em rentabilidade de projetos de arquitetura.
Como as horas viram custo?
Multiplique as horas pelo custo-hora de quem trabalhou. As 68 horas do estudo, a um custo-hora de R$ 75, custaram R$ 5.100 ao escritório. Se a etapa foi vendida por R$ 5.500, a margem quase sumiu.
O custo-hora é o custo mensal do escritório dividido pelas horas produtivas. As horas do projeto “Interno” são o que separa horas produtivas de horas totais. O cálculo completo, com um exemplo, está em hora técnica do arquiteto.
Como fazer a equipe apontar sem resistência?
Mostre para que serve, mostre o resultado e simplifique ao máximo. Equipe que vê o apontamento virar proposta melhor aponta; equipe que vê o apontamento virar cobrança, não.
- Explique o objetivo: orçar melhor e cobrar o que sai do escopo, não vigiar.
- Comece pelos sócios. Se quem orça não aponta, ninguém aponta.
- Um minuto por dia, no fim do expediente, com os quatro campos.
- Mostre o resultado na reunião semanal: “o estudo estourou porque fizemos uma rodada a mais; vamos cobrar”.
- Não use para avaliar desempenho individual nos primeiros meses. Senão o dado vira o que a pessoa acha que o chefe quer ver.
Onde fazer o controle de horas?
Numa planilha compartilhada, num aplicativo de apontamento ou no sistema onde o projeto já está. Quanto mais perto do lugar onde a pessoa trabalha, mais ela aponta.
Planilha resolve no começo. Aplicativo genérico de timesheet mede bem, mas fica separado do orçamento e do projeto, e alguém precisa juntar os números no fim do mês. Se a gestão dos projetos está no Notion, um banco de apontamentos ligado aos projetos funciona, como mostra o post sobre Notion e Trello para arquitetos.
O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. Nele, o apontamento é feito por projeto e etapa, com cronômetro ou à mão, e o custo das horas de cada etapa é comparado com o que foi previsto no orçamento e proposta. Quando três ou mais etapas concluídas mostram que uma atividade leva bem mais ou bem menos que o tempo padrão, o Croqui sugere o ajuste para o próximo orçamento. Os entregáveis de cada etapa seguem no quadro de projetos.
Erros comuns no controle de horas
- Etapas do apontamento diferentes das da proposta. Não dá para comparar.
- Não apontar o tempo interno. O custo-hora sai baixo.
- Apontar no fim do mês.
- Campos demais.
- Apontar e nunca olhar. O dado só vale quando muda o próximo orçamento.
Perguntas frequentes
Por que controlar as horas no escritório de arquitetura?
Para saber se o preço pagou o trabalho. Sem horas apontadas, o escritório não sabe quanto custou cada etapa, não tem base para cobrar revisão extra e orça o próximo projeto por palpite. A Tabela de Honorários do CAU/BR alerta que subdimensionar a carga horária no orçamento resulta em prejuízo no fim do contrato, e só o histórico de horas evita isso.
Qual o melhor jeito de apontar horas: cronômetro ou no fim do dia?
Os dois funcionam. O cronômetro é mais preciso, mas é fácil esquecer de ligar e desligar. O apontamento no fim do dia, em blocos de meia hora, é mais rápido e preciso o bastante para orçar. O que não funciona é apontar no fim da semana ou do mês: a memória arredonda tudo, e o dado perde valor.
O que fazer com as horas que não são de projeto?
Aponte também, numa categoria interna: comercial, administração, financeiro, estudo. Elas não entram no custo de nenhum projeto, mas mostram quanto do mês é produtivo. Essa proporção é o denominador do custo-hora: se só 60% das horas dos sócios vão para projeto, o custo-hora precisa ser calculado sobre esses 60%.
Controle de horas é controle de ponto?
Não. Controle de ponto registra a jornada do empregado, por exigência trabalhista. Controle de horas por projeto registra em que trabalho o tempo foi gasto, para gestão e preço. Os dois podem coexistir, mas têm finalidades diferentes. Deixe claro para a equipe que o apontamento por projeto serve para orçar melhor, não para vigiar.