Artigo · Legislação e aprovação
NBR 9050 checklist: acessibilidade no projeto de arquitetura, item por item
Equipe Croqui Atualizado em 17 min de leitura
Resposta curta
Um checklist da NBR 9050 confere, no projeto, módulo de referência (0,80 x 1,20 m), giro de 1,50 m, corredores, rampas até 8,33%, portas com vão livre de 0,80 m, sanitário acessível, alcance e sinalização. A edição vigente é a ABNT NBR 9050:2020, versão corrigida de 2021, e o atendimento é exigido pela Lei 13.146/2015.
Este artigo faz parte do guia Aprovação de projeto na prefeitura: leis, documentos, alvará, prazos e habite-se .
Este NBR 9050 checklist reúne, em ordem de projeto, o que a norma de acessibilidade pede e quanto pede: módulo de referência, circulação, rampas, escadas, portas, sanitário acessível, alcance e sinalização. Os valores vêm da ABNT NBR 9050:2020 e servem para conferir a planta antes de protocolar, não para decorar a norma. Percorra as tabelas com o projeto aberto e marque o que está ok, o que precisa de ajuste e o que só se resolve no memorial ou na obra.
Qual é a versão vigente da NBR 9050?
A edição vigente é a ABNT NBR 9050:2020, quarta edição, de 03.08.2020, com versão corrigida de 25.01.2021. Ela equivale à NBR 9050:2015 somada à Emenda 1 de 2020 e cancela a edição de 2015. A versão corrigida só incorpora a Errata 1, sem mudar os valores deste checklist.
A norma pode ser baixada de graça. Por um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal, as normas técnicas de acessibilidade da ABNT ficam abertas ao público, como lembra o CAU/BR. A coleção de normas de acessibilidade da ABNT lista a NBR 9050:2020 Versão Corrigida:2021, a Emenda 1 e a Errata 1.
A sinalização tátil no piso não está na NBR 9050: ela remete à ABNT NBR 16537, hoje na edição de 2024 na mesma coleção. E antes de cada protocolo vale conferir no catálogo se não saiu emenda nova.
A NBR 9050 é obrigatória? O que dizem a LBI e o Decreto 5.296
Sim, para edificações de uso público, de uso coletivo e para as áreas comuns de edifícios multifamiliares. A obrigação vem da lei, que manda seguir as normas técnicas de acessibilidade, e a NBR 9050 é a principal delas para edificação. Por isso ela é um dos itens conferidos na aprovação de projeto na prefeitura, junto com o código de obras e o plano diretor.
A Lei 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), manda no art. 56 que construção, reforma, ampliação ou mudança de uso dessas edificações sejam acessíveis. Três trechos mexem direto com o escritório:
- Art. 56, § 1º: ao anotar a responsabilidade técnica, o conselho profissional exige a declaração de atendimento às regras de acessibilidade. O RRT carrega esse compromisso.
- Art. 56, § 2º: para aprovar, licenciar ou certificar a conclusão da obra, o atendimento às regras de acessibilidade precisa ser atestado.
- Art. 60, § 2º: a emissão do habite-se é condicionada à observação e à certificação das regras de acessibilidade.
O Decreto 5.296/2004, que regulamenta as Leis 10.048 e 10.098 de 2000, já dizia o mesmo e cita a ABNT nominalmente: o art. 10 manda o projeto arquitetônico ter como referência básica as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, e o art. 22 exige sanitário acessível com entrada independente em edificações de uso público ou coletivo.
Para prédio residencial, vale também o Decreto 9.451/2018, que regulamenta o art. 58 da LBI: áreas comuns acessíveis, unidades autônomas adaptáveis e 2% das vagas reservadas para veículos de pessoa com deficiência.
Como usar este checklist da NBR 9050 no projeto
Use em duas passadas. No estudo preliminar, confira só o que define a planta: giro de 1,50 m, largura de corredor, onde cabe a rampa, tamanho do sanitário acessível. No projeto legal, passe o checklist inteiro, com cotas.
Nos sanitários e nos corrimãos, valores marcados como mínimo ou máximo são absolutos; as demais medidas admitem 10 mm (sanitários) e 20 mm (corrimãos) de tolerância. Projete com folga: a cota que fecha no mínimo exato na planta raramente fecha depois do reboco e do revestimento.
Módulo de referência e áreas de manobra
O módulo de referência (M.R.) é a projeção de 0,80 m por 1,20 m ocupada por uma pessoa em cadeira de rodas. Quase todas as outras medidas da norma são derivadas dele e das áreas de manobra.
| Item | Valor da NBR 9050:2020 | Item da norma |
|---|---|---|
| Módulo de referência | 0,80 m x 1,20 m | 4.2.2 |
| Rotação de 90° sem deslocamento | 1,20 m x 1,20 m | 4.3.4 |
| Rotação de 180° sem deslocamento | 1,50 m x 1,20 m | 4.3.4 |
| Rotação de 360° sem deslocamento | círculo de 1,50 m de diâmetro | 4.3.4 |
| Área de transferência | no mínimo o M.R. | 4.4.1 |
| Aproximação sob o objeto (mesa, lavatório) | avanço de 0,25 m a 0,50 m | 4.5 |
| Passagem junto a obstáculo isolado | 0,80 m (obstáculo até 0,40 m de extensão) ou 0,90 m | 4.3.2 |
O círculo de 1,50 m é o item que mais muda a planta: sanitário acessível, fim de corredor sem saída, patamar onde a rampa muda de direção. Desenhe o círculo como bloco desde o estudo, e o problema aparece cedo.
Largura de corredor e rota acessível: quanto precisa?
O corredor de uso comum precisa de 0,90 m até 4,00 m de extensão, 1,20 m até 10,00 m e 1,50 m acima de 10,00 m. Corredor de uso público pede 1,50 m. Tudo isso dentro de uma rota acessível, que é um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado.
| Situação | Largura mínima | Item |
|---|---|---|
| Corredor de uso comum até 4,00 m de extensão | 0,90 m | 6.11.1 |
| Corredor de uso comum até 10,00 m | 1,20 m | 6.11.1 |
| Corredor de uso comum acima de 10,00 m | 1,50 m | 6.11.1 |
| Corredor de uso público | 1,50 m | 6.11.1 |
| Edificação existente sem como alargar | 0,90 m, com bolsão de retorno (giro de 180°) a cada 15,00 m | 6.11.1.1 |
A rota acessível precisa de no mínimo 150 lux, medidos a 1,00 m do chão, e inclui o percurso do estacionamento até os acessos. O piso tem regras próprias, que pegam muito em área externa:
| Item do piso | Valor | Item |
|---|---|---|
| Inclinação transversal, piso interno | até 2% | 6.3.3 |
| Inclinação transversal, piso externo | até 3% | 6.3.3 |
| Inclinação longitudinal | menor que 5% (de 5% para cima, é rampa) | 6.3.3 |
| Desnível até 5 mm | dispensa tratamento | 6.3.4.1 |
| Desnível de 5 mm a 20 mm | chanfro com inclinação máxima de 1:2 (50%) | 6.3.4.1 |
| Desnível acima de 20 mm | é degrau e segue as regras de degrau | 6.3.4.1 |
| Vão de grelha ou junta no fluxo | no máximo 15 mm | 6.3.5 |
| Desnível lateral à circulação | proteção contra queda a partir de 0,18 m | 4.3.7 |
Exemplo comum: a calçada interna do lote com 4% de caimento longitudinal está ok como piso. Se a topografia obrigar a 5,5%, o trecho virou rampa e passa a precisar de corrimão, patamar e guia de balizamento.
Rampas: como calcular a inclinação pela NBR 9050
A inclinação da rampa é i = h x 100 / c, em que h é o desnível e c é o comprimento da projeção horizontal. Em obra nova, o máximo é 8,33% (1:12), com até 0,80 m de desnível por segmento (Tabela 4).
| Desnível máximo por segmento | Inclinação admissível | Número máximo de segmentos |
|---|---|---|
| 1,50 m | 5,00% (1:20) | sem limite |
| 1,00 m | acima de 5,00% até 6,25% (1:16) | sem limite |
| 0,80 m | acima de 6,25% até 8,33% (1:12) | 15 |
Em reforma, e só quando nenhuma solução atende a Tabela 4, a Tabela 5 admite inclinações maiores para desníveis pequenos:
| Desnível máximo por segmento | Inclinação admissível | Número máximo de segmentos |
|---|---|---|
| 0,20 m | acima de 8,33% até 10,00% (1:10) | 4 |
| 0,075 m | acima de 10,00% até 12,5% (1:8) | 1 |
Exemplo: rampa para vencer 0,60 m e 1,20 m
Uma entrada com 0,60 m de desnível, a 8,33%, pede 7,20 m de projeção horizontal (0,60 / 0,0833). A 6,25%, pede 9,60 m. A 5%, 12,00 m. Como 0,60 m é menor que 0,80 m, cabe num segmento só em qualquer das três.
Agora um desnível de 1,20 m a 8,33%. Ele passa do limite de 0,80 m por segmento, então precisa de dois segmentos, por exemplo 0,60 m cada. São 7,20 m + patamar intermediário de 1,20 m + 7,20 m, ou 15,60 m de rampa, fora os patamares de início e fim. É por isso que a rampa precisa entrar no estudo de implantação, não no projeto legal.
Checklist da rampa
- Largura: recomendável 1,50 m, mínimo admissível 1,20 m (6.6.2.5). Em edificação existente, quando for impraticável, 0,90 m com segmentos de no máximo 4,00 m de projeção (6.6.2.7).
- Patamares: 1,20 m de comprimento no início, no fim e entre segmentos; na mudança de direção, o patamar tem a largura da rampa (6.6.4). A porta que abre no patamar não pode invadir esse mínimo.
- Inclinação transversal: até 2% em rampa interna e 3% em externa, inclusive nos patamares (6.6.2.4 e 6.6.4.2).
- Rampa em curva: no máximo 8,33% e raio interno mínimo de 3,00 m (6.6.2.3).
- Corrimão: dos dois lados, em duas alturas, 0,92 m e 0,70 m, prolongando 0,30 m nas extremidades (6.9.3.2).
- Guia de balizamento: no mínimo 0,05 m de altura quando não houver parede lateral (6.6.3).
Tabelas, corrimãos, guia de balizamento e rebaixamento de calçada estão no guia de inclinação de rampa pela NBR 9050.
Escadas e degraus na rota acessível
Escada em rota acessível não substitui rampa: ela precisa estar associada a uma rampa ou a um equipamento de transporte vertical. A circulação vertical só conta como acessível com pelo menos duas formas de deslocamento.
| Item da escada | Valor | Item |
|---|---|---|
| Fórmula de Blondel | 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m | 6.8.2 |
| Piso (p) | 0,28 m a 0,32 m | 6.8.2 |
| Espelho (e) | 0,16 m a 0,18 m | 6.8.2 |
| Largura mínima em rota acessível | 1,20 m | 6.8.3 |
| Patamar | 1,20 m, a cada 3,20 m de desnível e em toda mudança de direção | 6.8.7 e 6.8.8 |
| Bocel ou espelho inclinado | avanço de no máximo 1,5 cm | 6.7.1 |
| Distância do primeiro e do último degrau à circulação (obra nova) | no mínimo 0,30 m | 6.8.4 |
| Espelho vazado | proibido em rota acessível | 6.7.1 |
Até dois degraus em sequência é degrau isolado, que a norma pede para evitar. Quando não der, precisa de corrimão ou barra de apoio e faixa contrastante de no mínimo 3 cm em toda a extensão. Nas escadas, a faixa nos degraus tem no mínimo 7 cm por 3 cm (5.4.4). A soleira com degrau, o caso mais comum, deve ter parte da extensão em rampa de no mínimo 0,90 m de largura (6.3.4.4).
Portas: vão livre, maçaneta e espaço ao lado
A porta acessível precisa de vão livre de pelo menos 0,80 m por 2,10 m com a folha aberta. Vão livre é a passagem que sobra, não a largura da folha.
| Item | Valor | Item |
|---|---|---|
| Vão livre | ≥ 0,80 m de largura e 2,10 m de altura (admite 20 mm a menos) | 6.11.2.4 |
| Porta de duas folhas | uma das folhas com vão livre ≥ 0,80 m | 6.11.2.4 |
| Porta em local de prática esportiva | vão livre ≥ 1,00 m | 6.11.2.4 |
| Força para abrir | no máximo 36 N | 6.11.2.5 |
| Maçaneta | tipo alavanca, entre 0,80 m e 1,10 m do piso | 6.11.2.6 |
| Espaço livre ao lado da maçaneta (porta abre contra o deslocamento) | 0,60 m | 6.11.2.2 |
| Espaço livre entre parede e porta (porta abre no sentido do deslocamento) | 0,30 m | 6.11.2.2 |
| Deslocamento lateral | 0,60 m livres de cada lado | 6.11.2.3 |
O erro clássico é cotar porta de 0,80 m e achar que atendeu. Com a folha aberta a 90°, a espessura da folha e o batente comem parte da passagem, e o vão livre fica abaixo do mínimo. Por isso muito escritório especifica folha de 0,90 m na rota acessível. Sem os 0,60 m ao lado da maçaneta, a norma pede abertura automática por botoeira ou sensor.
Sanitário acessível: medidas e barras de apoio
O sanitário acessível precisa de giro de 360° (círculo de 1,50 m), área de transferência lateral, perpendicular e diagonal para a bacia, barras de apoio nas posições da norma e entrada independente, para a pessoa poder ser acompanhada por alguém de outro sexo.
Quantos sanitários acessíveis o projeto precisa?
Pela Tabela 7, obra nova pede 5% de cada peça sanitária: em uso público, com no mínimo um por sexo em cada pavimento com sanitários; em uso coletivo, no mínimo um por pavimento; em área comum de edificação privada, no mínimo um. Recomenda-se que nenhum ponto fique a mais de 50 m do sanitário acessível.
Checklist do sanitário acessível
| Item | Valor | Item da norma |
|---|---|---|
| Giro | círculo de 1,50 m de diâmetro | 7.5 a) |
| Área de manobra sob as peças | até 0,10 m sob a bacia e 0,30 m sob o lavatório | 7.5 c) |
| Altura da bacia sem assento | 0,43 m a 0,45 m | 7.7.2.1 |
| Altura da bacia com assento | no máximo 0,46 m (adulto) | 7.7.2.1 |
| Barra horizontal lateral | ≥ 0,80 m, a 0,75 m do piso, 0,40 m do eixo da bacia à face da barra, a 0,50 m da borda frontal da bacia | 7.7.2.2.1 |
| Barra vertical lateral | ≥ 0,70 m, 0,10 m acima da barra horizontal, a 0,30 m da borda frontal da bacia | 7.7.2.2.1 |
| Barra no fundo | ≥ 0,80 m, a 0,75 m do piso, até 0,11 m da parede, passando 0,30 m do eixo da bacia | 7.7.2.2.2 |
| Barra no fundo com caixa acoplada | pode subir até 0,89 m do piso | 7.7.2.2.3 |
| Barras de apoio | resistência a 150 kg, seção de 30 mm a 45 mm, 40 mm livres da parede | 7.6.1 e 7.6.3 |
| Lavatório | sem coluna ou com coluna suspensa; borda superior entre 0,78 m e 0,80 m | 7.5 d) e e) |
| Torneira | alavanca, sensor ou equivalente, com esforço de no máximo 23 N | 7.8.2 |
| Porta de eixo vertical | abre para fora, com puxador horizontal interno de no mínimo 0,40 m | 7.5 f) |
| Alarme de emergência | próximo à bacia, a 0,40 m do piso, acionável por quem está sentado ou caído | 7.4.2.2 e 5.6.4.1 |
A norma não dá uma área mínima única: o tamanho sai do giro, da área de transferência e do comprimento da bacia especificada, conforme a Figura 100 (em reforma, Figura 101). E o problema que mais aparece em planta é a porta abrindo para dentro, sobre o círculo de giro.
Barras, lavatório, porta, acessórios e boxe de chuveiro, item a item, estão no guia do banheiro acessível pela NBR 9050.
Alcance manual, comandos e mobiliário
Os comandos ficam numa faixa de altura que a pessoa sentada alcança. A maçaneta, por exemplo, vai entre 0,80 m e 1,10 m do piso, e a mesa acessível precisa de 0,73 m livres por baixo.
| Item | Valor | Item |
|---|---|---|
| Maçanetas e puxadores | entre 0,80 m e 1,10 m do piso | 4.6.6 |
| Maçaneta tipo alavanca | ≥ 100 mm de comprimento, 40 mm afastada da porta | 4.6.6.1 |
| Mesa acessível: altura do tampo | 0,75 m a 0,85 m | 9.3.1.3 |
| Mesa acessível: largura do tampo | ≥ 0,90 m, com 0,80 m livres por baixo | 9.3.1.3 |
| Mesa acessível: altura livre e profundidade sob o tampo | ≥ 0,73 m e ≥ 0,50 m | 9.3.1.4 |
Para interruptor, tomada, campainha, interfone e quadro de luz, a Figura 26 da norma traz a faixa de altura de cada comando. Copie da figura para o caderno de especificações, porque cada comando tem a sua.
Sinalização: o que precisa estar no projeto
A sinalização essencial de uma edificação cobre sanitários, banheiros, vestiários, acessos verticais e horizontais, números de pavimentos e rota de fuga. Todas as portas de sanitários, banheiros e vestiários precisam ser sinalizadas.
| Item | Valor | Item |
|---|---|---|
| Placa de porta e passagem | faixa de 1,20 m a 1,60 m de altura, em plano vertical | 5.4.1 |
| Placa instalada na porta | centralizada, sem informação tátil; o tátil vai na parede ou no batente | 5.4.1 |
| Sinalização suspensa | acima de 2,10 m do piso | 5.2.8.2.3 |
| Piso tátil de alerta e direcional | segue a ABNT NBR 16537 | 5.4.6 |
No estacionamento, a LBI (art. 47) reserva 2% das vagas, com no mínimo uma, para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento de mobilidade. A NBR 9050 pede faixa adicional de 1,20 m ao lado da vaga (que duas vagas podem compartilhar) e percurso de até 50 m até o acesso.
O que dá para checar pelo modelo e o que não dá
Tudo o que é geometria modelada dá para conferir no modelo; o que depende de material, equipamento ou execução, não. Saber a divisão evita confiar demais na conferência automática e refazer à mão o que o modelo já sabe.
| Dá para checar pelo modelo (se estiver modelado) | Não dá para checar pelo modelo |
|---|---|
| Largura de corredores e de passagens | Piso antiderrapante e regularidade do revestimento |
| Largura e altura de portas (com a ressalva do vão livre) | Força de abertura da porta (36 N) e tipo de maçaneta |
| Círculo de giro de 1,50 m em sanitário e corredor | Contraste visual medido em LRV |
| Inclinação de rampas e número de segmentos | Iluminância de 150 lux na rota |
| Piso, espelho e largura de escadas | Braille, relevo e altura real das placas |
| Patamares e seus comprimentos | Resistência das barras de apoio (150 kg) |
| Quantidade de sanitários acessíveis por pavimento | Alarme de emergência funcionando |
| Altura de bacia, corrimão e barras, se os objetos tiverem esses dados | Desníveis de execução de 5 mm a 20 mm |
Num modelo IFC, a conferência é tão boa quanto a modelagem: porta desenhada só como vão na parede não tem largura para conferir. No DWG, a linha não sabe se é parede ou mobiliário, e tudo depende de camadas e blocos organizados.
É aqui que a pré-checagem automática ajuda. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. A pré-checagem de conformidade confere a NBR 9050 e o Plano Diretor de Florianópolis e separa o que está ok, o que precisa de atenção e o que não dá para checar pelo modelo.
Ela não substitui a análise da prefeitura nem a responsabilidade técnica: o arquiteto revisa e assina.
O que mais volta na análise de acessibilidade?
Volta o que é geometria e foi resolvido tarde: folha de 0,80 m cotada como vão livre, porta do sanitário abrindo sobre o giro, rampa sem patamar, corrimão numa altura só, soleira com degrau, corredor de 0,90 m longo demais. E cada revisão do modelo pode reabrir esses itens: mudou uma parede do sanitário, o giro precisa ser conferido de novo. Vale amarrar o checklist às revisões, junto com o quadro de áreas, que costuma mudar na mesma hora.
Checklist resumido da NBR 9050 para o projeto
- Edição conferida: NBR 9050:2020, versão corrigida 2021
- Rota acessível contínua do acesso do lote a todas as áreas comuns
- Giro de 1,50 m nos sanitários acessíveis e nos fins de corredor
- Corredores de 0,90 m, 1,20 m ou 1,50 m conforme a extensão e o uso
- Rampas até 8,33%, com patamares de 1,20 m e corrimão duplo dos dois lados
- Escadas com 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m e sem espelho vazado
- Portas com vão livre de 0,80 m e maçaneta de alavanca
- Sanitários na quantidade da Tabela 7, porta abrindo para fora, barras nas posições da norma
- Sinalização, piso tátil (NBR 16537) e vagas reservadas
- O que o modelo não mostra descrito no memorial e no caderno de especificações
A acessibilidade é só uma parte do que a prefeitura confere. Recuos, taxa de ocupação, área computável e documentação entram no mesmo protocolo, e o caminho completo, do alvará ao habite-se, está no guia de aprovação na prefeitura.
Perguntas frequentes
Qual é a versão atual da NBR 9050?
A edição em uso é a ABNT NBR 9050:2020, quarta edição, publicada em 03.08.2020 e com versão corrigida de 25.01.2021, que incorpora a Errata 1. Ela equivale à NBR 9050:2015 somada à Emenda 1 de 2020 e cancela a edição de 2015. O texto pode ser baixado de graça na coleção de normas de acessibilidade da ABNT, aberta por um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Federal. Antes de protocolar, confira no catálogo da ABNT se não saiu emenda nova.
Qual a inclinação máxima de rampa pela NBR 9050?
Em obra nova, a inclinação máxima é 8,33% (1:12), com desnível de no máximo 0,80 m por segmento e até 15 segmentos. Entre 5% e 6,25% o desnível por segmento pode chegar a 1,00 m, e com 5% chega a 1,50 m, sem limite de segmentos. Só em reforma, esgotadas as outras soluções, a Tabela 5 admite até 10% para desnível de 0,20 m e até 12,5% para desnível de 0,075 m. A rampa interna não pode passar de 2% de inclinação transversal.
Qual a largura mínima de uma porta acessível?
A NBR 9050:2020 pede vão livre de pelo menos 0,80 m de largura e 2,10 m de altura com a porta aberta, admitindo 20 mm a menos. Vão livre não é a largura da folha: a espessura da folha aberta e o batente reduzem a passagem. Em porta de duas folhas, uma delas sozinha precisa garantir os 0,80 m. Em locais de prática esportiva o vão sobe para 1,00 m. A maçaneta deve ser de alavanca, entre 0,80 m e 1,10 m do piso.
Qual o tamanho mínimo de um banheiro acessível pela NBR 9050?
A norma não fixa uma área única. O sanitário acessível precisa caber um círculo de 1,50 m de diâmetro para giro de 360°, a área de transferência de 0,80 x 1,20 m ao lado da bacia e as peças nas posições da Figura 100. A área de manobra pode avançar até 0,10 m sob a bacia e 0,30 m sob o lavatório. O tamanho final depende do comprimento da bacia e da largura do lavatório escolhidos. Em reforma, vale a Figura 101.
A NBR 9050 vale para casa unifamiliar?
Pelo escopo da norma e pela Lei 13.146/2015, a obrigação recai sobre edificações de uso público, de uso coletivo e sobre as áreas comuns de edifícios multifamiliares, cujas unidades seguem o Decreto 9.451/2018. A casa unifamiliar de uso privado não tem exigência geral nessas regras federais. Mesmo assim, confira o código de obras do município e use a norma como referência quando o cliente ou alguém da família tem mobilidade reduzida.
Dá para checar a NBR 9050 direto no modelo BIM?
Em parte. Tudo o que é geometria modelada dá para conferir no modelo IFC: largura de corredor, vão de porta, diâmetro livre no sanitário, inclinação de rampa, piso e espelho de escada. O que depende de material, execução ou equipamento não aparece no modelo: piso antiderrapante, contraste de cor, força para abrir a porta, Braille, iluminação e resistência das barras de apoio. Esses itens continuam sendo conferidos no memorial, na especificação e na obra.
Fontes
- 01ABNT: Normas de Acessibilidade (coleção gratuita, inclui ABNT NBR 9050:2020 Versão Corrigida:2021)
- 02Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015: Lei Brasileira de Inclusão (Planalto)
- 03Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Planalto)
- 04Decreto nº 9.451, de 26 de julho de 2018: acessibilidade em edificação de uso privado multifamiliar (Planalto)
- 05CAU/BR: Norma técnica da ABNT auxilia profissionais a promover acessibilidade no país