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Artigo · Legislação e aprovação

NBR 9050 checklist: acessibilidade no projeto de arquitetura, item por item

Equipe Croqui Atualizado em 17 min de leitura

Resposta curta

Um checklist da NBR 9050 confere, no projeto, módulo de referência (0,80 x 1,20 m), giro de 1,50 m, corredores, rampas até 8,33%, portas com vão livre de 0,80 m, sanitário acessível, alcance e sinalização. A edição vigente é a ABNT NBR 9050:2020, versão corrigida de 2021, e o atendimento é exigido pela Lei 13.146/2015.

Este artigo faz parte do guia Aprovação de projeto na prefeitura: leis, documentos, alvará, prazos e habite-se .

Este NBR 9050 checklist reúne, em ordem de projeto, o que a norma de acessibilidade pede e quanto pede: módulo de referência, circulação, rampas, escadas, portas, sanitário acessível, alcance e sinalização. Os valores vêm da ABNT NBR 9050:2020 e servem para conferir a planta antes de protocolar, não para decorar a norma. Percorra as tabelas com o projeto aberto e marque o que está ok, o que precisa de ajuste e o que só se resolve no memorial ou na obra.

Qual é a versão vigente da NBR 9050?

A edição vigente é a ABNT NBR 9050:2020, quarta edição, de 03.08.2020, com versão corrigida de 25.01.2021. Ela equivale à NBR 9050:2015 somada à Emenda 1 de 2020 e cancela a edição de 2015. A versão corrigida só incorpora a Errata 1, sem mudar os valores deste checklist.

A norma pode ser baixada de graça. Por um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal, as normas técnicas de acessibilidade da ABNT ficam abertas ao público, como lembra o CAU/BR. A coleção de normas de acessibilidade da ABNT lista a NBR 9050:2020 Versão Corrigida:2021, a Emenda 1 e a Errata 1.

A sinalização tátil no piso não está na NBR 9050: ela remete à ABNT NBR 16537, hoje na edição de 2024 na mesma coleção. E antes de cada protocolo vale conferir no catálogo se não saiu emenda nova.

A NBR 9050 é obrigatória? O que dizem a LBI e o Decreto 5.296

Sim, para edificações de uso público, de uso coletivo e para as áreas comuns de edifícios multifamiliares. A obrigação vem da lei, que manda seguir as normas técnicas de acessibilidade, e a NBR 9050 é a principal delas para edificação. Por isso ela é um dos itens conferidos na aprovação de projeto na prefeitura, junto com o código de obras e o plano diretor.

A Lei 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), manda no art. 56 que construção, reforma, ampliação ou mudança de uso dessas edificações sejam acessíveis. Três trechos mexem direto com o escritório:

  • Art. 56, § 1º: ao anotar a responsabilidade técnica, o conselho profissional exige a declaração de atendimento às regras de acessibilidade. O RRT carrega esse compromisso.
  • Art. 56, § 2º: para aprovar, licenciar ou certificar a conclusão da obra, o atendimento às regras de acessibilidade precisa ser atestado.
  • Art. 60, § 2º: a emissão do habite-se é condicionada à observação e à certificação das regras de acessibilidade.

O Decreto 5.296/2004, que regulamenta as Leis 10.048 e 10.098 de 2000, já dizia o mesmo e cita a ABNT nominalmente: o art. 10 manda o projeto arquitetônico ter como referência básica as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, e o art. 22 exige sanitário acessível com entrada independente em edificações de uso público ou coletivo.

Para prédio residencial, vale também o Decreto 9.451/2018, que regulamenta o art. 58 da LBI: áreas comuns acessíveis, unidades autônomas adaptáveis e 2% das vagas reservadas para veículos de pessoa com deficiência.

Como usar este checklist da NBR 9050 no projeto

Use em duas passadas. No estudo preliminar, confira só o que define a planta: giro de 1,50 m, largura de corredor, onde cabe a rampa, tamanho do sanitário acessível. No projeto legal, passe o checklist inteiro, com cotas.

Nos sanitários e nos corrimãos, valores marcados como mínimo ou máximo são absolutos; as demais medidas admitem 10 mm (sanitários) e 20 mm (corrimãos) de tolerância. Projete com folga: a cota que fecha no mínimo exato na planta raramente fecha depois do reboco e do revestimento.

Módulo de referência e áreas de manobra

O módulo de referência (M.R.) é a projeção de 0,80 m por 1,20 m ocupada por uma pessoa em cadeira de rodas. Quase todas as outras medidas da norma são derivadas dele e das áreas de manobra.

ItemValor da NBR 9050:2020Item da norma
Módulo de referência0,80 m x 1,20 m4.2.2
Rotação de 90° sem deslocamento1,20 m x 1,20 m4.3.4
Rotação de 180° sem deslocamento1,50 m x 1,20 m4.3.4
Rotação de 360° sem deslocamentocírculo de 1,50 m de diâmetro4.3.4
Área de transferênciano mínimo o M.R.4.4.1
Aproximação sob o objeto (mesa, lavatório)avanço de 0,25 m a 0,50 m4.5
Passagem junto a obstáculo isolado0,80 m (obstáculo até 0,40 m de extensão) ou 0,90 m4.3.2

O círculo de 1,50 m é o item que mais muda a planta: sanitário acessível, fim de corredor sem saída, patamar onde a rampa muda de direção. Desenhe o círculo como bloco desde o estudo, e o problema aparece cedo.

Largura de corredor e rota acessível: quanto precisa?

O corredor de uso comum precisa de 0,90 m até 4,00 m de extensão, 1,20 m até 10,00 m e 1,50 m acima de 10,00 m. Corredor de uso público pede 1,50 m. Tudo isso dentro de uma rota acessível, que é um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado.

SituaçãoLargura mínimaItem
Corredor de uso comum até 4,00 m de extensão0,90 m6.11.1
Corredor de uso comum até 10,00 m1,20 m6.11.1
Corredor de uso comum acima de 10,00 m1,50 m6.11.1
Corredor de uso público1,50 m6.11.1
Edificação existente sem como alargar0,90 m, com bolsão de retorno (giro de 180°) a cada 15,00 m6.11.1.1

A rota acessível precisa de no mínimo 150 lux, medidos a 1,00 m do chão, e inclui o percurso do estacionamento até os acessos. O piso tem regras próprias, que pegam muito em área externa:

Item do pisoValorItem
Inclinação transversal, piso internoaté 2%6.3.3
Inclinação transversal, piso externoaté 3%6.3.3
Inclinação longitudinalmenor que 5% (de 5% para cima, é rampa)6.3.3
Desnível até 5 mmdispensa tratamento6.3.4.1
Desnível de 5 mm a 20 mmchanfro com inclinação máxima de 1:2 (50%)6.3.4.1
Desnível acima de 20 mmé degrau e segue as regras de degrau6.3.4.1
Vão de grelha ou junta no fluxono máximo 15 mm6.3.5
Desnível lateral à circulaçãoproteção contra queda a partir de 0,18 m4.3.7

Exemplo comum: a calçada interna do lote com 4% de caimento longitudinal está ok como piso. Se a topografia obrigar a 5,5%, o trecho virou rampa e passa a precisar de corrimão, patamar e guia de balizamento.

Rampas: como calcular a inclinação pela NBR 9050

A inclinação da rampa é i = h x 100 / c, em que h é o desnível e c é o comprimento da projeção horizontal. Em obra nova, o máximo é 8,33% (1:12), com até 0,80 m de desnível por segmento (Tabela 4).

Desnível máximo por segmentoInclinação admissívelNúmero máximo de segmentos
1,50 m5,00% (1:20)sem limite
1,00 macima de 5,00% até 6,25% (1:16)sem limite
0,80 macima de 6,25% até 8,33% (1:12)15

Em reforma, e só quando nenhuma solução atende a Tabela 4, a Tabela 5 admite inclinações maiores para desníveis pequenos:

Desnível máximo por segmentoInclinação admissívelNúmero máximo de segmentos
0,20 macima de 8,33% até 10,00% (1:10)4
0,075 macima de 10,00% até 12,5% (1:8)1

Exemplo: rampa para vencer 0,60 m e 1,20 m

Uma entrada com 0,60 m de desnível, a 8,33%, pede 7,20 m de projeção horizontal (0,60 / 0,0833). A 6,25%, pede 9,60 m. A 5%, 12,00 m. Como 0,60 m é menor que 0,80 m, cabe num segmento só em qualquer das três.

Agora um desnível de 1,20 m a 8,33%. Ele passa do limite de 0,80 m por segmento, então precisa de dois segmentos, por exemplo 0,60 m cada. São 7,20 m + patamar intermediário de 1,20 m + 7,20 m, ou 15,60 m de rampa, fora os patamares de início e fim. É por isso que a rampa precisa entrar no estudo de implantação, não no projeto legal.

Checklist da rampa

  • Largura: recomendável 1,50 m, mínimo admissível 1,20 m (6.6.2.5). Em edificação existente, quando for impraticável, 0,90 m com segmentos de no máximo 4,00 m de projeção (6.6.2.7).
  • Patamares: 1,20 m de comprimento no início, no fim e entre segmentos; na mudança de direção, o patamar tem a largura da rampa (6.6.4). A porta que abre no patamar não pode invadir esse mínimo.
  • Inclinação transversal: até 2% em rampa interna e 3% em externa, inclusive nos patamares (6.6.2.4 e 6.6.4.2).
  • Rampa em curva: no máximo 8,33% e raio interno mínimo de 3,00 m (6.6.2.3).
  • Corrimão: dos dois lados, em duas alturas, 0,92 m e 0,70 m, prolongando 0,30 m nas extremidades (6.9.3.2).
  • Guia de balizamento: no mínimo 0,05 m de altura quando não houver parede lateral (6.6.3).

Tabelas, corrimãos, guia de balizamento e rebaixamento de calçada estão no guia de inclinação de rampa pela NBR 9050.

Escadas e degraus na rota acessível

Escada em rota acessível não substitui rampa: ela precisa estar associada a uma rampa ou a um equipamento de transporte vertical. A circulação vertical só conta como acessível com pelo menos duas formas de deslocamento.

Item da escadaValorItem
Fórmula de Blondel0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m6.8.2
Piso (p)0,28 m a 0,32 m6.8.2
Espelho (e)0,16 m a 0,18 m6.8.2
Largura mínima em rota acessível1,20 m6.8.3
Patamar1,20 m, a cada 3,20 m de desnível e em toda mudança de direção6.8.7 e 6.8.8
Bocel ou espelho inclinadoavanço de no máximo 1,5 cm6.7.1
Distância do primeiro e do último degrau à circulação (obra nova)no mínimo 0,30 m6.8.4
Espelho vazadoproibido em rota acessível6.7.1

Até dois degraus em sequência é degrau isolado, que a norma pede para evitar. Quando não der, precisa de corrimão ou barra de apoio e faixa contrastante de no mínimo 3 cm em toda a extensão. Nas escadas, a faixa nos degraus tem no mínimo 7 cm por 3 cm (5.4.4). A soleira com degrau, o caso mais comum, deve ter parte da extensão em rampa de no mínimo 0,90 m de largura (6.3.4.4).

Portas: vão livre, maçaneta e espaço ao lado

A porta acessível precisa de vão livre de pelo menos 0,80 m por 2,10 m com a folha aberta. Vão livre é a passagem que sobra, não a largura da folha.

ItemValorItem
Vão livre≥ 0,80 m de largura e 2,10 m de altura (admite 20 mm a menos)6.11.2.4
Porta de duas folhasuma das folhas com vão livre ≥ 0,80 m6.11.2.4
Porta em local de prática esportivavão livre ≥ 1,00 m6.11.2.4
Força para abrirno máximo 36 N6.11.2.5
Maçanetatipo alavanca, entre 0,80 m e 1,10 m do piso6.11.2.6
Espaço livre ao lado da maçaneta (porta abre contra o deslocamento)0,60 m6.11.2.2
Espaço livre entre parede e porta (porta abre no sentido do deslocamento)0,30 m6.11.2.2
Deslocamento lateral0,60 m livres de cada lado6.11.2.3

O erro clássico é cotar porta de 0,80 m e achar que atendeu. Com a folha aberta a 90°, a espessura da folha e o batente comem parte da passagem, e o vão livre fica abaixo do mínimo. Por isso muito escritório especifica folha de 0,90 m na rota acessível. Sem os 0,60 m ao lado da maçaneta, a norma pede abertura automática por botoeira ou sensor.

Sanitário acessível: medidas e barras de apoio

O sanitário acessível precisa de giro de 360° (círculo de 1,50 m), área de transferência lateral, perpendicular e diagonal para a bacia, barras de apoio nas posições da norma e entrada independente, para a pessoa poder ser acompanhada por alguém de outro sexo.

Quantos sanitários acessíveis o projeto precisa?

Pela Tabela 7, obra nova pede 5% de cada peça sanitária: em uso público, com no mínimo um por sexo em cada pavimento com sanitários; em uso coletivo, no mínimo um por pavimento; em área comum de edificação privada, no mínimo um. Recomenda-se que nenhum ponto fique a mais de 50 m do sanitário acessível.

Checklist do sanitário acessível

ItemValorItem da norma
Girocírculo de 1,50 m de diâmetro7.5 a)
Área de manobra sob as peçasaté 0,10 m sob a bacia e 0,30 m sob o lavatório7.5 c)
Altura da bacia sem assento0,43 m a 0,45 m7.7.2.1
Altura da bacia com assentono máximo 0,46 m (adulto)7.7.2.1
Barra horizontal lateral≥ 0,80 m, a 0,75 m do piso, 0,40 m do eixo da bacia à face da barra, a 0,50 m da borda frontal da bacia7.7.2.2.1
Barra vertical lateral≥ 0,70 m, 0,10 m acima da barra horizontal, a 0,30 m da borda frontal da bacia7.7.2.2.1
Barra no fundo≥ 0,80 m, a 0,75 m do piso, até 0,11 m da parede, passando 0,30 m do eixo da bacia7.7.2.2.2
Barra no fundo com caixa acopladapode subir até 0,89 m do piso7.7.2.2.3
Barras de apoioresistência a 150 kg, seção de 30 mm a 45 mm, 40 mm livres da parede7.6.1 e 7.6.3
Lavatóriosem coluna ou com coluna suspensa; borda superior entre 0,78 m e 0,80 m7.5 d) e e)
Torneiraalavanca, sensor ou equivalente, com esforço de no máximo 23 N7.8.2
Porta de eixo verticalabre para fora, com puxador horizontal interno de no mínimo 0,40 m7.5 f)
Alarme de emergênciapróximo à bacia, a 0,40 m do piso, acionável por quem está sentado ou caído7.4.2.2 e 5.6.4.1

A norma não dá uma área mínima única: o tamanho sai do giro, da área de transferência e do comprimento da bacia especificada, conforme a Figura 100 (em reforma, Figura 101). E o problema que mais aparece em planta é a porta abrindo para dentro, sobre o círculo de giro.

Barras, lavatório, porta, acessórios e boxe de chuveiro, item a item, estão no guia do banheiro acessível pela NBR 9050.

Alcance manual, comandos e mobiliário

Os comandos ficam numa faixa de altura que a pessoa sentada alcança. A maçaneta, por exemplo, vai entre 0,80 m e 1,10 m do piso, e a mesa acessível precisa de 0,73 m livres por baixo.

ItemValorItem
Maçanetas e puxadoresentre 0,80 m e 1,10 m do piso4.6.6
Maçaneta tipo alavanca≥ 100 mm de comprimento, 40 mm afastada da porta4.6.6.1
Mesa acessível: altura do tampo0,75 m a 0,85 m9.3.1.3
Mesa acessível: largura do tampo≥ 0,90 m, com 0,80 m livres por baixo9.3.1.3
Mesa acessível: altura livre e profundidade sob o tampo≥ 0,73 m e ≥ 0,50 m9.3.1.4

Para interruptor, tomada, campainha, interfone e quadro de luz, a Figura 26 da norma traz a faixa de altura de cada comando. Copie da figura para o caderno de especificações, porque cada comando tem a sua.

Sinalização: o que precisa estar no projeto

A sinalização essencial de uma edificação cobre sanitários, banheiros, vestiários, acessos verticais e horizontais, números de pavimentos e rota de fuga. Todas as portas de sanitários, banheiros e vestiários precisam ser sinalizadas.

ItemValorItem
Placa de porta e passagemfaixa de 1,20 m a 1,60 m de altura, em plano vertical5.4.1
Placa instalada na portacentralizada, sem informação tátil; o tátil vai na parede ou no batente5.4.1
Sinalização suspensaacima de 2,10 m do piso5.2.8.2.3
Piso tátil de alerta e direcionalsegue a ABNT NBR 165375.4.6

No estacionamento, a LBI (art. 47) reserva 2% das vagas, com no mínimo uma, para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento de mobilidade. A NBR 9050 pede faixa adicional de 1,20 m ao lado da vaga (que duas vagas podem compartilhar) e percurso de até 50 m até o acesso.

O que dá para checar pelo modelo e o que não dá

Tudo o que é geometria modelada dá para conferir no modelo; o que depende de material, equipamento ou execução, não. Saber a divisão evita confiar demais na conferência automática e refazer à mão o que o modelo já sabe.

Dá para checar pelo modelo (se estiver modelado)Não dá para checar pelo modelo
Largura de corredores e de passagensPiso antiderrapante e regularidade do revestimento
Largura e altura de portas (com a ressalva do vão livre)Força de abertura da porta (36 N) e tipo de maçaneta
Círculo de giro de 1,50 m em sanitário e corredorContraste visual medido em LRV
Inclinação de rampas e número de segmentosIluminância de 150 lux na rota
Piso, espelho e largura de escadasBraille, relevo e altura real das placas
Patamares e seus comprimentosResistência das barras de apoio (150 kg)
Quantidade de sanitários acessíveis por pavimentoAlarme de emergência funcionando
Altura de bacia, corrimão e barras, se os objetos tiverem esses dadosDesníveis de execução de 5 mm a 20 mm

Num modelo IFC, a conferência é tão boa quanto a modelagem: porta desenhada só como vão na parede não tem largura para conferir. No DWG, a linha não sabe se é parede ou mobiliário, e tudo depende de camadas e blocos organizados.

É aqui que a pré-checagem automática ajuda. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. A pré-checagem de conformidade confere a NBR 9050 e o Plano Diretor de Florianópolis e separa o que está ok, o que precisa de atenção e o que não dá para checar pelo modelo.

Ela não substitui a análise da prefeitura nem a responsabilidade técnica: o arquiteto revisa e assina.

O que mais volta na análise de acessibilidade?

Volta o que é geometria e foi resolvido tarde: folha de 0,80 m cotada como vão livre, porta do sanitário abrindo sobre o giro, rampa sem patamar, corrimão numa altura só, soleira com degrau, corredor de 0,90 m longo demais. E cada revisão do modelo pode reabrir esses itens: mudou uma parede do sanitário, o giro precisa ser conferido de novo. Vale amarrar o checklist às revisões, junto com o quadro de áreas, que costuma mudar na mesma hora.

Checklist resumido da NBR 9050 para o projeto

  • Edição conferida: NBR 9050:2020, versão corrigida 2021
  • Rota acessível contínua do acesso do lote a todas as áreas comuns
  • Giro de 1,50 m nos sanitários acessíveis e nos fins de corredor
  • Corredores de 0,90 m, 1,20 m ou 1,50 m conforme a extensão e o uso
  • Rampas até 8,33%, com patamares de 1,20 m e corrimão duplo dos dois lados
  • Escadas com 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m e sem espelho vazado
  • Portas com vão livre de 0,80 m e maçaneta de alavanca
  • Sanitários na quantidade da Tabela 7, porta abrindo para fora, barras nas posições da norma
  • Sinalização, piso tátil (NBR 16537) e vagas reservadas
  • O que o modelo não mostra descrito no memorial e no caderno de especificações

A acessibilidade é só uma parte do que a prefeitura confere. Recuos, taxa de ocupação, área computável e documentação entram no mesmo protocolo, e o caminho completo, do alvará ao habite-se, está no guia de aprovação na prefeitura.

Perguntas frequentes

Qual é a versão atual da NBR 9050?

A edição em uso é a ABNT NBR 9050:2020, quarta edição, publicada em 03.08.2020 e com versão corrigida de 25.01.2021, que incorpora a Errata 1. Ela equivale à NBR 9050:2015 somada à Emenda 1 de 2020 e cancela a edição de 2015. O texto pode ser baixado de graça na coleção de normas de acessibilidade da ABNT, aberta por um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Federal. Antes de protocolar, confira no catálogo da ABNT se não saiu emenda nova.

Qual a inclinação máxima de rampa pela NBR 9050?

Em obra nova, a inclinação máxima é 8,33% (1:12), com desnível de no máximo 0,80 m por segmento e até 15 segmentos. Entre 5% e 6,25% o desnível por segmento pode chegar a 1,00 m, e com 5% chega a 1,50 m, sem limite de segmentos. Só em reforma, esgotadas as outras soluções, a Tabela 5 admite até 10% para desnível de 0,20 m e até 12,5% para desnível de 0,075 m. A rampa interna não pode passar de 2% de inclinação transversal.

Qual a largura mínima de uma porta acessível?

A NBR 9050:2020 pede vão livre de pelo menos 0,80 m de largura e 2,10 m de altura com a porta aberta, admitindo 20 mm a menos. Vão livre não é a largura da folha: a espessura da folha aberta e o batente reduzem a passagem. Em porta de duas folhas, uma delas sozinha precisa garantir os 0,80 m. Em locais de prática esportiva o vão sobe para 1,00 m. A maçaneta deve ser de alavanca, entre 0,80 m e 1,10 m do piso.

Qual o tamanho mínimo de um banheiro acessível pela NBR 9050?

A norma não fixa uma área única. O sanitário acessível precisa caber um círculo de 1,50 m de diâmetro para giro de 360°, a área de transferência de 0,80 x 1,20 m ao lado da bacia e as peças nas posições da Figura 100. A área de manobra pode avançar até 0,10 m sob a bacia e 0,30 m sob o lavatório. O tamanho final depende do comprimento da bacia e da largura do lavatório escolhidos. Em reforma, vale a Figura 101.

A NBR 9050 vale para casa unifamiliar?

Pelo escopo da norma e pela Lei 13.146/2015, a obrigação recai sobre edificações de uso público, de uso coletivo e sobre as áreas comuns de edifícios multifamiliares, cujas unidades seguem o Decreto 9.451/2018. A casa unifamiliar de uso privado não tem exigência geral nessas regras federais. Mesmo assim, confira o código de obras do município e use a norma como referência quando o cliente ou alguém da família tem mobilidade reduzida.

Dá para checar a NBR 9050 direto no modelo BIM?

Em parte. Tudo o que é geometria modelada dá para conferir no modelo IFC: largura de corredor, vão de porta, diâmetro livre no sanitário, inclinação de rampa, piso e espelho de escada. O que depende de material, execução ou equipamento não aparece no modelo: piso antiderrapante, contraste de cor, força para abrir a porta, Braille, iluminação e resistência das barras de apoio. Esses itens continuam sendo conferidos no memorial, na especificação e na obra.

Fontes

  1. 01ABNT: Normas de Acessibilidade (coleção gratuita, inclui ABNT NBR 9050:2020 Versão Corrigida:2021)
  2. 02Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015: Lei Brasileira de Inclusão (Planalto)
  3. 03Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Planalto)
  4. 04Decreto nº 9.451, de 26 de julho de 2018: acessibilidade em edificação de uso privado multifamiliar (Planalto)
  5. 05CAU/BR: Norma técnica da ABNT auxilia profissionais a promover acessibilidade no país

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