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Artigo · Legislação e aprovação

Inclinação de rampa pela NBR 9050: tabela, cálculo e exemplos

Equipe Croqui Atualizado em 11 min de leitura

Resposta curta

Pela NBR 9050:2020, a inclinação máxima de rampa em obra nova é 8,33% (1:12), com até 0,80 m de desnível por segmento e no máximo 15 segmentos. Até 5% o desnível por segmento chega a 1,50 m. Calcule com i = h x 100 / c, preveja patamares de 1,20 m, largura mínima de 1,20 m e corrimão duplo dos dois lados.

Este artigo faz parte do guia Aprovação de projeto na prefeitura: leis, documentos, alvará, prazos e habite-se .

A inclinação de rampa pela NBR 9050 é o item de acessibilidade que mais muda a implantação de um projeto, porque uma rampa correta ocupa muito mais terreno do que o croqui inicial costuma prever. Este guia reúne a tabela de inclinações da ABNT NBR 9050:2020, a fórmula de cálculo com exemplos resolvidos, os patamares, a largura, os corrimãos e o rebaixamento de calçada. Os valores e os números dos itens são os da norma, que a ABNT disponibiliza de graça junto com as demais normas de acessibilidade (o CAU/BA publicou o link).

Para o restante da norma (circulação, portas, sanitário, alcance e sinalização), use o checklist completo da NBR 9050. Para o detalhe do sanitário, veja o guia do banheiro acessível pela NBR 9050.

O que a NBR 9050 considera rampa?

Rampa é toda superfície de piso com declividade igual ou superior a 5% (item 6.6.1). Abaixo de 5%, o trecho é piso com inclinação longitudinal e não precisa de corrimão nem patamar. A partir de 5%, precisa atender tudo o que vem a seguir.

Essa linha de corte importa no projeto de implantação. Uma calçada interna com 4% de caimento resolve o desnível sem virar rampa. Se a topografia obrigar a 5,5%, o mesmo caminho passa a exigir patamares, corrimãos de duas alturas e guia de balizamento. Às vezes, alongar o percurso para ficar abaixo de 5% sai mais barato e mais bonito do que construir uma rampa formal.

A rampa também não é opcional quando há escada na rota acessível. Pelo item 6.7, degraus e escadas em rotas acessíveis precisam estar associados a rampas ou a equipamento de transporte vertical, e a norma diz que se deve dar preferência à rampa.

Tabela de inclinação de rampa pela NBR 9050

A Tabela 4 da NBR 9050:2020 limita três coisas ao mesmo tempo: a inclinação de cada segmento, o desnível que cada segmento pode vencer e quantos segmentos a rampa pode ter.

Desnível máximo por segmento (h)Inclinação admissível por segmento (i)Número máximo de segmentos
1,50 m5,00% (1:20)sem limite
1,00 macima de 5,00% (1:20) até 6,25% (1:16)sem limite
0,80 macima de 6,25% (1:16) até 8,33% (1:12)15

Leia a tabela pela linha da inclinação que você quer usar. Escolheu 8,33%, a mais íngreme permitida em obra nova? Cada segmento vence no máximo 0,80 m e a rampa pode ter até 15 segmentos, separados por patamares. Escolheu 6%? Cada segmento vence até 1,00 m. Com 5% exatos, até 1,50 m por segmento.

Para inclinação entre 6,25% e 8,33%, a norma recomenda áreas de descanso nos patamares a cada 50 m de percurso (6.6.2.1). Em rampa residencial isso quase nunca aparece, mas em rampa longa de edifício público ou de estacionamento aparece.

Rampas em reforma: Tabela 5

Em reforma, e só quando esgotadas as soluções que atendam integralmente a Tabela 4, o item 6.6.2.2 admite inclinações acima de 8,33% (1:12) até 12,5% (1:8), conforme a Tabela 5:

Desnível máximo por segmento (h)Inclinação admissível por segmento (i)Número máximo de segmentos
0,20 macima de 8,33% (1:12) até 10,00% (1:10)4
0,075 macima de 10,00% (1:10) até 12,5% (1:8)1

A Tabela 5 é exceção para desníveis pequenos em edificação existente, como uma soleira alta ou um degrau de entrada. Não é atalho para obra nova, e o analista da prefeitura pode pedir a justificativa de por que a Tabela 4 não foi atendida. Registre essa justificativa no memorial.

Como calcular a inclinação de uma rampa

A NBR 9050 (6.6.2) dá a fórmula:

i = h x 100 / c

  • i é a inclinação, em porcentagem;
  • h é a altura do desnível;
  • c é o comprimento da projeção horizontal (medido em planta, não ao longo da rampa).

Para descobrir quanto espaço a rampa vai ocupar, inverta a fórmula: c = h x 100 / i.

Exemplo 1: entrada com 0,45 m de desnível

Uma casa térrea com piso interno 0,45 m acima da calçada do lote.

Inclinação escolhidaCálculoProjeção horizontal
8,33%0,45 x 100 / 8,335,40 m
6,25%0,45 x 100 / 6,257,20 m
5,00%0,45 x 100 / 5,009,00 m

Como 0,45 m é menor que 0,80 m, cabe num segmento só em qualquer das três. Somando os patamares de início e de fim, de 1,20 m cada (6.6.4), a rampa a 8,33% ocupa 5,40 + 1,20 + 1,20 = 7,80 m de comprimento total. Num recuo frontal de 5,00 m, ela não cabe reta: precisa correr paralela à fachada ou mudar de direção.

Exemplo 2: térreo elevado com 1,40 m de desnível

Um edifício com térreo 1,40 m acima da calçada, atendido por rampa a 8,33%.

  1. Segmentos: 1,40 m passa do limite de 0,80 m por segmento. São pelo menos dois segmentos, por exemplo 0,70 m cada.
  2. Projeção de cada segmento: 0,70 x 100 / 8,33 = 8,40 m.
  3. Patamares: início (1,20 m), intermediário (1,20 m) e fim (1,20 m).
  4. Total em linha reta: 8,40 + 1,20 + 8,40 + 1,20 + 1,20 = 20,40 m.

Se a mesma rampa for feita a 6,25%, cada segmento pode vencer até 1,00 m. Ainda são dois segmentos (0,70 m cada), agora com 11,20 m de projeção cada: 11,20 + 1,20 + 11,20 + 1,20 + 1,20 = 26,00 m. A inclinação menor é mais confortável e custa 5,60 m a mais de percurso.

É por isso que a rampa precisa entrar no estudo de implantação, e não no projeto legal. Quando ela aparece tarde, o desenho do térreo inteiro volta para a prancheta.

Exemplo 3: conferindo uma rampa existente

Num levantamento, a rampa vence 0,30 m em 3,20 m de projeção. A inclinação é 0,30 x 100 / 3,20 = 9,38%. Passa de 8,33%, então não atende a Tabela 4. Pela Tabela 5, inclinação entre 8,33% e 10% é admitida em reforma para desnível de até 0,20 m por segmento. Como o desnível é 0,30 m, também não atende. A rampa precisa ser refeita, alongada para pelo menos 3,60 m de projeção (0,30 x 100 / 8,33).

Patamares da rampa

Os patamares no início e no término da rampa precisam de dimensão longitudinal mínima de 1,20 m, e o mesmo vale para os patamares intermediários entre segmentos (6.6.4). Na mudança de direção, o patamar tem dimensões iguais à largura da rampa: numa rampa de 1,50 m que vira 90°, o patamar da curva é um quadrado de 1,50 x 1,50 m.

Três detalhes que costumam escapar:

  • Porta no patamar: a área de varredura da porta não pode invadir a dimensão mínima do patamar (6.6.4.1). Uma porta que abre para fora sobre o patamar de 1,20 m obriga a aumentar o patamar.
  • Inclinação transversal: até 2% em rampa interna e 3% em rampa externa, nos segmentos e também nos patamares (6.6.2.4 e 6.6.4.2). Patamar “caído” para escoar água é um erro clássico.
  • Área de circulação adjacente: a Figura 73 da norma mostra 1,50 m de área de circulação junto ao patamar inicial. Não encoste o início da rampa numa parede ou num portão.

Largura da rampa

A largura livre mínima recomendável em rotas acessíveis é 1,50 m, e o mínimo admissível é 1,20 m (6.6.2.5). A largura deve ser definida pelo fluxo de pessoas: rampa de acesso principal de edifício público não deve ficar no mínimo.

Em edificação existente, quando essas larguras forem impraticáveis, a norma admite 0,90 m de largura com segmentos de no máximo 4,00 m de projeção horizontal, desde que respeitadas as Tabelas 4 e 5 (6.6.2.7). Na mudança de direção, valem as áreas de manobra da seção 4.3.

A projeção dos corrimãos pode invadir a largura mínima em até 10 cm de cada lado (6.6.2.9), exceto no caso de 0,90 m. Na prática: uma rampa de 1,20 m entre paredes acabadas pode ter corrimãos que reduzam a passagem para 1,00 m, mas uma rampa de 0,90 m em reforma não pode perder nada.

Rampa em curva

A inclinação máxima em curva é 8,33% e o raio mínimo é 3,00 m, medido no perímetro interno da curva (6.6.2.3). Rampa em curva com raio menor que isso não atende, mesmo que a inclinação esteja certa no eixo, porque do lado de dentro ela fica bem mais íngreme.

Corrimãos e guarda-corpos

Toda rampa precisa de corrimão de duas alturas em cada lado (6.6.2.6). As medidas estão em 6.9.3 e 4.6.5:

RequisitoValorItem
Alturas0,92 m e 0,70 m do piso, medidas da face superior6.9.3.2
Ladosos dois lados da rampa6.9.3.2
Prolongamento nas extremidadesno mínimo 0,30 m6.9.3.2
Continuidadesem interrupção nos patamares6.9.3.3
Extremidadesacabamento recurvado, fixadas à parede ou ao piso6.9.3.4
Seçãocircular de 30 mm a 45 mm, ou elíptica de 30 x 45 mm4.6.5
Afastamento da paredeno mínimo 40 mm4.6.5
Tolerânciamáximos e mínimos absolutos; demais medidas, mais ou menos 20 mm6.9.1

Em rampas com largura igual ou superior a 2,40 m, a norma pede corrimãos laterais contínuos nos dois lados ou um corrimão intermediário duplo, também com duas alturas, que garanta a passagem mínima de 1,20 m (6.9.3.5). O corrimão intermediário só pode ser interrompido em patamar com mais de 1,40 m, com espaçamento mínimo de 0,80 m entre o fim de um segmento e o início do seguinte (6.9.3.6).

Quando não há parede lateral, a rampa precisa incorporar guarda-corpo, corrimãos e guia de balizamento (6.6.2.8). Os guarda-corpos atendem às ABNT NBR 9077 e NBR 14718 (6.9.2).

Guia de balizamento

A guia de balizamento é o ressalto lateral que impede a roda da cadeira e a bengala de escaparem pela borda da rampa. Pode ser de alvenaria ou de outro material com a mesma função, com altura mínima de 5 cm (6.6.3), e é exigida em rampas e escadas sem parede lateral.

No desenho, ela aparece em corte e no detalhe da rampa. No modelo BIM, costuma ser esquecida porque não é parede nem piso: modele-a como elemento próprio para que apareça em quantitativo e em corte.

Piso e sinalização da rampa

Os pisos das rampas atendem às condições do item 6.3: superfície regular, firme, estável, não trepidante e antiderrapante sob qualquer condição. A sinalização tátil e visual no piso, no início e no fim da rampa, segue a ABNT NBR 16537, para a qual a NBR 9050 remete no item 5.4.6.

A identificação do pavimento junto a escadas e rampas também é exigida, em forma visual, em relevo e em Braille (5.4.3). Num edifício com várias rampas, isso entra no projeto de sinalização, não só no de arquitetura.

Rampa na calçada: rebaixamento de calçada

O rebaixamento de calçada para travessia de pedestres segue regra própria, no item 6.12.7.3:

  • construído na direção do fluxo da travessia;
  • inclinação preferencialmente menor que 5%, admitindo até 8,33% (1:12), na rampa central e nas abas laterais;
  • largura recomendada de 1,50 m ou mais, admitindo o mínimo de 1,20 m;
  • não pode reduzir a faixa livre de circulação da calçada para menos de 1,20 m.

Em casos excepcionais e justificados, a Figura 94 admite largura de 0,90 m. A calçada pública, porém, costuma ter regra municipal adicional (padrão de calçada, posição do rebaixamento, material). Consulte a lei da sua cidade antes de desenhar, como explica o guia de aprovação de projeto na prefeitura.

Erros mais comuns em rampas

  1. Calcular a inclinação ao longo da rampa. O “c” da fórmula é a projeção horizontal. Medir o comprimento inclinado dá uma inclinação um pouco menor do que a real.
  2. Esquecer os patamares no comprimento total. A rampa de 5,40 m vira 7,80 m com os patamares de 1,20 m. É aí que ela deixa de caber no recuo.
  3. Usar a Tabela 5 em obra nova. As inclinações de 10% e 12,5% são só para reforma, com desnível pequeno e justificativa.
  4. Patamar com caimento. Até 2% interno e 3% externo, inclusive no patamar.
  5. Corrimão de uma altura só, ou só de um lado. São duas alturas, 0,92 m e 0,70 m, nos dois lados.
  6. Porta abrindo sobre o patamar mínimo. A varredura da porta não pode invadir os 1,20 m.
  7. Rampa sem guia de balizamento quando não há parede. Mínimo de 5 cm.
  8. Revestimento não considerado. O desnível é entre pisos acabados. Contrapiso e revestimento mudam o h, e a rampa calculada no osso pode sair da tabela depois de pronta.

Como conferir a rampa no modelo

Inclinação, desnível, comprimento de projeção, largura e patamares são geometria. Se a rampa está modelada com os níveis certos, dá para conferir tudo isso no modelo antes de detalhar. Material antiderrapante, corrimão real instalado e sinalização tátil não aparecem no modelo e precisam de vistoria.

Essa separação é a que a pré-checagem de conformidade do Croqui faz: ela confere no modelo IFC o que é geometria da NBR 9050 e lista o que o modelo não responde. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. A responsabilidade técnica continua sendo do arquiteto, e a pré-checagem não substitui a análise da prefeitura.

Por que a rampa é obrigatória

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) exige que edificações de uso público e coletivo garantam acessibilidade, e o Decreto 5.296/2004 manda o projeto arquitetônico tomar como referência as normas técnicas de acessibilidade da ABNT. Na prática, a prefeitura confere a rota acessível no projeto legal e a vistoria confere a rota executada antes do habite-se. Uma rampa fora da tabela costuma voltar nas duas etapas.

Perguntas frequentes

Qual a inclinação máxima de uma rampa acessível?

Em obra nova, 8,33% (1:12), segundo a Tabela 4 da ABNT NBR 9050:2020. Nessa faixa, entre 6,25% e 8,33%, cada segmento vence no máximo 0,80 m de desnível e a rampa pode ter até 15 segmentos. Só em reforma, quando nenhuma solução atende a Tabela 4, a Tabela 5 admite até 10% para desníveis de até 0,20 m e até 12,5% para desníveis de até 0,075 m.

Como calcular a inclinação de uma rampa?

Use i = h x 100 / c, em que i é a inclinação em porcentagem, h é o desnível e c é o comprimento da projeção horizontal, na mesma unidade. Uma rampa que vence 0,40 m em 6,00 m de projeção tem 0,40 x 100 / 6,00 = 6,67%. Para achar o comprimento a partir da inclinação, inverta: c = h x 100 / i. Para 0,40 m a 8,33%, são 4,80 m.

A partir de quantos por cento um piso vira rampa?

A partir de 5%. A NBR 9050:2020 (6.6.1) considera rampa toda superfície de piso com declividade igual ou superior a 5%. Abaixo disso é piso com inclinação longitudinal, sem exigência de corrimão e patamar. Acima, o trecho precisa atender todos os requisitos de rampa: inclinação da Tabela 4, patamares, largura, corrimãos de duas alturas e guia de balizamento quando não houver parede.

Qual a largura mínima de uma rampa acessível?

A NBR 9050:2020 recomenda 1,50 m de largura livre e admite no mínimo 1,20 m em rotas acessíveis (6.6.2.5). Em edificação existente, quando essas larguras forem impraticáveis, admite 0,90 m com segmentos de no máximo 4,00 m de projeção horizontal (6.6.2.7). A projeção dos corrimãos pode invadir até 10 cm de cada lado da largura mínima, exceto nesse caso de 0,90 m.

Qual a altura do corrimão de rampa?

Dois corrimãos de cada lado, a 0,92 m e a 0,70 m do piso, medidos da face superior e acompanhando a inclinação da rampa (6.9.3.2). Eles se prolongam no mínimo 0,30 m nas extremidades, são contínuos nos patamares e têm seção circular de 30 mm a 45 mm, afastados no mínimo 40 mm da parede (4.6.5).

Fontes

  1. 01CAU/BA: Conheça a Norma Técnica ABNT 9050:2020 atualizada e baixe o documento de forma gratuita
  2. 02ABNT: Normas de Acessibilidade (coleção gratuita, inclui ABNT NBR 9050:2020)
  3. 03Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015: Lei Brasileira de Inclusão (Planalto)
  4. 04Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Planalto)

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