Artigo · BIM e IFC
Como migrar do AutoCAD para o BIM: plano em fases para escritório pequeno
Equipe Croqui Atualizado em 5 min de leitura
Resposta curta
Migrar do AutoCAD para o BIM funciona melhor em fases: escolher o software com um teste real, montar um template mínimo, fazer um projeto piloto pequeno do estudo à documentação, ampliar a biblioteca a partir dele e só então levar todos os projetos novos para o BIM. O acervo em DWG continua em DWG; não vale remodelar projetos antigos sem motivo.
Este artigo faz parte do guia BIM e IFC para escritórios de arquitetura: o guia prático para quem é pequeno ou médio .
Migrar do AutoCAD para o BIM é uma decisão de gestão, não só de software. O escritório troca a forma de produzir: em vez de desenhar linhas que representam a construção, modela objetos que sabem o que são, e tira deles plantas, cortes, quadros e quantidades. A troca costuma falhar não pela dificuldade do programa, mas pela falta de plano: a equipe começa num projeto urgente, o prazo aperta e todo mundo volta para o CAD. Este guia mostra um plano em fases pensado para escritório pequeno.
O que é BIM, o que é IFC e por que eles importam estão no guia de BIM e IFC para escritórios. A escolha do programa está em Revit ou Archicad.
Por que migrar: o ganho está na revisão
No CAD, cada planta, corte, fachada e quadro é um desenho independente. Quando o projeto muda, cada um precisa ser alterado e conferido à mão. No BIM, eles são vistas do mesmo modelo: a janela que muda de tamanho muda na planta, na fachada, no corte e no quadro de esquadrias ao mesmo tempo.
O primeiro projeto em BIM não é mais rápido que no CAD. O ganho aparece:
- nas revisões, que deixam de ser retrabalho em cada desenho;
- nos quadros e quantitativos, que saem do modelo;
- na coordenação com complementares, pelo IFC;
- nas obras públicas, em que a Lei 14.133/2021 manda preferir BIM quando adequado ao objeto e o Decreto 10.306/2020 exige modelos em formato aberto nas contratações federais em BIM.
Fase 1: decidir com um teste, não com um tutorial
- Escolha dois candidatos de software BIM, pensando em sistema operacional e em com quem você troca arquivos.
- Refaça um projeto já entregue em cada um, até a prancha de planta baixa com quadros.
- Exporte o IFC e confira num visualizador gratuito, como mostra como abrir arquivo IFC.
- Decida pelo que a equipe aprendeu mais rápido e que melhor se comunica com seus parceiros.
Fase 2: template mínimo
O template é o arquivo de partida de todo projeto. Comece mínimo e cresça com o uso:
| Item do template | O que configurar |
|---|---|
| Níveis | térreo, superior, cobertura, com nomes padrão |
| Estilos de linha e texto | pesos e alturas no papel conforme a simbologia de planta baixa |
| Tipos de parede, piso e forro | os sistemas que o escritório mais usa |
| Ambientes | parâmetros de nome, número, uso e acabamentos |
| Tabelas | ambientes, áreas, esquadrias |
| Folhas | formatos ABNT com o carimbo do escritório, como no guia de pranchas ABNT |
| Exportação | configuração de IFC e de PDF salva |
Não tente montar a biblioteca inteira antes do primeiro projeto. Ela nasce dele.
Fase 3: projeto piloto
Escolha um projeto pequeno, com prazo folgado e cliente conhecido, e leve do estudo à documentação completa, incluindo quadros e pranchas. Regras do piloto:
- uma pessoa responsável pelo modelo, com tempo reservado para aprender;
- nada de voltar para o CAD no meio, salvo detalhes 2D isolados;
- anote tudo o que faltou no template e na biblioteca;
- meça as horas por etapa, para comparar com projetos parecidos feitos em CAD.
O piloto termina quando o projeto foi entregue e o template foi atualizado com o que faltou.
Fase 4: biblioteca a partir do uso
Depois do piloto, organize a biblioteca com o que o projeto pediu: portas e janelas com parâmetros de largura, altura, peitoril e material preenchidos; louças e metais; mobiliário em nível de detalhe compatível com a escala. Objeto sem parâmetro não entra em tabela, então a regra é: menos objetos, bem configurados.
Fase 5: todos os projetos novos em BIM
Com o template e a biblioteca validados, todo projeto novo começa em BIM. Projetos em andamento no CAD terminam no CAD. Mudar de ferramenta no meio de um projeto costuma custar mais do que terminar como estava.
O que fazer com o acervo em DWG
- Fica em DWG. Não remodele projetos antigos sem motivo.
- Reforma ou ampliação de projeto antigo: vincule o DWG como base e modele por cima só o que vai ser trabalhado.
- Detalhes padrão em DWG: podem ser importados como detalhes 2D nas folhas, até serem refeitos no novo template.
- Levantamentos e complementares em DWG continuam chegando; saber organizar e vincular DWG segue sendo parte do trabalho.
Treinamento: menos curso, mais projeto
Curso genérico ensina os comandos; o projeto piloto ensina o fluxo do escritório. Um caminho que funciona: um curso curto para quem vai conduzir o piloto, sessões internas semanais em que essa pessoa mostra o que aprendeu no projeto real, e um documento simples com as convenções do escritório (como nomear níveis, ambientes, tipos e folhas).
Erros comuns na migração para o BIM
- Começar por um projeto grande e urgente.
- Montar a biblioteca inteira antes de projetar, e nunca terminar.
- Modelar como se desenhasse, com linhas e regiões no lugar de paredes e ambientes. O modelo fica bonito e não gera quadro nenhum.
- Não modelar os ambientes, perdendo quadro de áreas e de ambientes.
- Template copiado de outro escritório sem adaptar carimbo, padrões e normas.
- Exportar IFC sem conferir, como se a troca funcionasse sozinha.
- Voltar para o CAD na primeira dificuldade.
Documentação a partir do modelo, inclusive vindo do DWG
O ganho do BIM se concretiza quando a documentação sai do modelo e acompanha cada revisão. O Croqui é um software online para escritórios de arquitetura e interiores que transforma o modelo IFC ou DWG no pacote documental do projeto: quadros, quadro de áreas, memorial descritivo, pranchas ABNT e pré-checagem de conformidade, que se refazem a cada revisão do modelo. Ele lê o IFC exportado do programa BIM e também aceita DWG, e a comparação entre revisões funciona entre modelos IFC. Para o escritório no meio da migração, isso permite documentar projetos nos dois formatos enquanto a equipe passa para o BIM.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para migrar do AutoCAD para o BIM?
Depende do tamanho da equipe, do tempo dedicado e do volume de projetos em andamento. O que se pode afirmar é a sequência: o primeiro projeto em BIM é mais lento que no CAD, porque o template e a biblioteca ainda estão sendo feitos; o ganho aparece nos projetos seguintes e, principalmente, nas revisões. Planeje a migração por projetos, não por calendário.
Preciso remodelar os projetos antigos em BIM?
Não. O acervo em DWG continua em DWG e é usado como está: consulta, detalhes, base para reformas. Remodele em BIM só quando um projeto antigo voltar a ser trabalhado de forma significativa, como uma reforma grande ou uma ampliação. Mesmo assim, o DWG pode servir de base vinculada para modelar por cima.
Qual o primeiro projeto para fazer em BIM?
Um projeto pequeno, com prazo folgado e cliente conhecido, de preferência uma residência de 150 a 250 m². Ele precisa ir do estudo à documentação completa, incluindo quadros e pranchas, porque é aí que o BIM mostra o ganho. Evite começar por um projeto grande e urgente: a pressão de prazo faz a equipe voltar para o CAD no meio.
O escritório pode continuar usando AutoCAD depois de migrar?
Pode e normalmente continua. Levantamentos topográficos, projetos de complementares e arquivos de clientes ainda chegam em DWG, e detalhes 2D isolados às vezes são mais rápidos no CAD. O que muda é que o projeto principal passa a viver no modelo, e plantas, cortes e quadros saem dele.